Enxaqueca: a dor crônica campeã
Enxaqueca: a dor crônica campeã

Enxaqueca, um tema médico sobre o qual milhares de artigos foram publicados nos últimos 100 anos. Mais do que compreensível uma vez que em qualquer ranking de dores crônicas, a enxaqueca (não confundir com a dor de cabeça) tende a ser uma das mais prevalentes (às vezes até ultrapassando a dor musculoesquelética). Expor o tema, todavia, é um desafio – ainda nem sequer os neurocientistas conseguem apontar a sua causa. Os genes? O ambiente? A sensibilização central? Não se sabe. Optei, assim, por facilitar ao leitor leigo um voo rasante pelo que hoje é sabido sobre essa doença neurológica; os fatos, enfim, que a caracterizam.

“A depressão afeta quase 80% das pessoas que sofrem de enxaqueca em um momento ou outro. Pessoas com enxaqueca, especialmente a crônica, também são mais propensas a sentir ansiedade intensa e a ter tendências suicidas. Se queremos viver uma vida feliz e alegre com enxaqueca, é vital que reconheçamos e lidemos com as realidades emocionais da doença.”

-Sarah Hackley

Esse post é um apanhado dos principais fatos que hoje caracterizam a enxaqueca.

O que é
Prevalência
Efeito Incapacitante
Etiologia: Mais do que uma dor de cabeça
Como é uma Crise de Enxaqueca?
Impacto na Qualidade de vida
Nas Mulheres
Nas Crianças
Consequências socioeconômicas
Subcondições de Diagnóstico e Tratamento

O que é?

Dor que ocorre só de um lado da cabeça, com intensidade moderada a intensa, normalmente pulsante, que dura entre quatro e 72 horas, e costuma vir com outros sintomas, como náusea, vômito, tontura, sensibilidade à luz e ao barulho. Trata-se de uma alteração dos neurônios que se propaga, se espalha pelo córtex e leva a alterações na vasculatura, que acarretam a hipersensibilidade do cérebro e, enfim, a dor.

Todo mundo conhece alguém que sofre de enxaqueca ou também sofre com ela.

  • É uma doença neurológica extraordinariamente prevalente, afetando 39 milhões de homens, mulherescrianças nos Estados Unidos, 31 milhões no Brasil e 1 bilhão em todo o mundo.
  • É a 3ª entre as doenças prevalentes no mundo.
  • Quase 1 em cada 4 famílias nos EUA inclui alguém com enxaqueca.
  • A população brasileira tem 15,2% de enxaqueca, 13% de cefaleia tensional e 6,9% de cefaleia crônica diária. A população americana tem 12% de enxaqueca.
  • 18% das mulheres americanas, 6% dos homens e 10% das crianças têm enxaquecas.
  • É mais comum entre 18 e 44 anos.
  • Cerca de 90% das pessoas que sofrem de enxaqueca têm um histórico familiar.

A maioria das pessoas não percebe como a enxaqueca pode ser séria e incapacitante. 

  • É a 6ª. doença mais incapacitante no mundo.
  • A cada 10 segundos, alguém nos EUA vai ao pronto-socorro reclamando de dor de cabeça, e aproximadamente 1,2 milhão de visitas são para ataques de enxaqueca aguda.
  • Enquanto a maioria dos sofredores experimenta ataques uma ou duas vezes por mês, um décimo têm enxaqueca diária crônica, com pelo menos 15 dias de dor por mês.
  • Mais de 90% dos pacientes são incapazes de trabalhar ou funcionar normalmente durante a enxaqueca. Estima-se que uns 25 milhões de dias de trabalho ou estudo sejam perdidos a cada ano no Reino Unido – um país cuja população é menos de um terço da brasileira.
  • Mais frequente no público feminino – só na região sudeste 30% das mulheres sofrem com as crises, a doença é uma das principais causas de falta ao trabalho. A média é de quatro dias perdidos de trabalho por ano.

A enxaqueca é muito mais do que uma forte dor de cabeça.

  • É uma doença neurológica com sintomas neurológicos extremamente incapacitantes.
  • É geralmente uma dor forte e latejante recorrente, geralmente em um lado da cabeça. Mas em cerca de 1/3 dos ataques, ambos os lados são afetados.
  • Em alguns casos, outros sintomas incapacitantes estão presentes sem dor de cabeça.
  • Cerca de 25% das pessoas que sofrem com a doença também apresentam um distúrbio visual denominado aura, que geralmente dura menos de uma hora.
  • Em 15-20% dos ataques, outros sintomas neurológicos ocorrem antes da dor de cabeça real.
  • Os ataques geralmente duram entre 4 e 72 horas.

Uma crise pode ser dividida em quatro etapas com sintomas distintos.

  • Na premonitória, o período anterior à dor de cabeça, é comum o desejo por determinados alimentos, como chocolate, alterações de humor, cansaço, bocejos e retenção de líquidos.
  • Depois vem a aura, que normalmente precede a crise, mas também pode ocorrer simultaneamente. Ela ocorre em 15 a 25% das enxaquecas, e se manifesta com alterações na vista como embaçamento, pontos ou manchas escuras na visão, linhas em “zig zag” e pontos luminosos que duram de cinco minutos a uma hora. Em casos raros podem acontecer auras sem dor de cabeça.
  • A etapa da cefaleia é o período mais incapacitante e incômodo. A sensação é de dor de um lado da cabeça e latejamento que pioram com qualquer esforço físico. Além disso, náuseas, vômitos e sensibilidade a barulhos, luz e cheiros podem acompanhar a dor.
  • Por último vem a fase de resolução, que é a recuperação do organismo após a dor intensa de cabeça e se caracteriza por intolerância a alimentos, dificuldade de concentração, dor muscular e fadiga. Os ataques costumam ser acompanhados por um ou mais dos seguintes sintomas incapacitantes: distúrbios visuais, náuseas, vômitos, tontura, extrema sensibilidade ao som, luz, toque e cheiro, e formigamento ou dormência nas extremidades ou rosto.

Para muitos pacientes, é uma doença crônica que diminui significativamente sua qualidade de vida.

  • O uso excessivo de medicamentos é a razão mais comum pela qual a enxaqueca episódica se torna crônica.
  • Depressão, ansiedade e distúrbios do sono são comuns para pessoas com versão crônica.
  • Mais de 20% dos que sofrem de enxaqueca crônica são deficientes, e a probabilidade de deficiência aumenta drasticamente com o número de comorbidades.

A enxaqueca afeta desproporcionalmente as mulheres.

  • 85% dos que sofrem de enxaqueca crônica são mulheres.
  • Afeta cerca de 28 milhões de mulheres nos Estados Unidos. Proporcionalmente, 19 milhões no Brasil.
  • Aproximadamente 1 em cada 4 mulheres terá enxaqueca em suas vidas.
  • Entre duas e três vezes mais mulheres do que homens sofrem com a doença na idade adulta.
  • Cerca de metade das mulheres sofrem mais de um ataque por mês, e um quarto experimenta 4 ou mais ataques graves por mês.
  • Ataques mais graves e frequentes geralmente resultam de flutuações nos níveis de estrogênio.
  • Antes da puberdade, os meninos são mais afetados do que as meninas, mas durante a adolescência, o risco de enxaqueca e sua gravidade aumentam nas meninas.

A enxaqueca também afeta as crianças.

  • A enxaqueca geralmente não é diagnosticada em crianças.
  • Cerca de 10% das crianças em idade escolar sofrem de enxaqueca e até 28% dos adolescentes entre 15 e 19 anos são afetados por ela.
  • Metade de todos os que sofrem de enxaqueca tem seu primeiro ataque antes dos 12 anos de idade. A enxaqueca foi relatada em crianças de apenas 18 meses. Recentemente, descobriu-se que a cólica infantil está associada à enxaqueca infantil e pode até ser uma forma inicial de enxaqueca.
  • As crianças que sofrem, faltam à escola duas vezes mais do que as crianças sem enxaqueca.
  • Na infância, os meninos sofrem de enxaqueca com mais frequência do que as meninas; à medida que a adolescência se aproxima, a incidência aumenta mais rapidamente nas meninas do que nos meninos.
  • Uma criança que tem um dos pais com enxaqueca tem 50% de chance de herdá-la e, se ambos os pais têm enxaqueca, as chances sobem para 75%.

A enxaqueca é um problema de saúde pública com graves consequências sociais e econômicas.

  • Os custos com saúde e perda de produtividade associados à enxaqueca são estimados em US $ 36 bilhões anuais nos EUA.
  • Os americanos que sofrem de dor de cabeça gastam US $ 1 bilhão em exames cerebrais a cada ano.
  • As pessoas que sofrem de enxaqueca, como aquelas que sofrem de outras doenças crônicas, enfrentam os altos custos dos serviços médicos, muito pouco suporte e acesso limitado a cuidados de qualidade.
  • Além do peso de um ataque de enxaqueca em si, ter enxaqueca aumenta o risco de outras condições físicas e psiquiátricas.

A enxaqueca continua a ser uma doença mal compreendida que frequentemente não é diagnosticada e é subtratada.

  • Em 2020, havia cerca de 700 especialistas certificados em dor de cabeça nos EUA e 39 milhões de pacientes. No Brasil, essa especialidade sequer existe.
  • Mais da metade de todos os que sofrem de enxaqueca nunca são diagnosticados.
  • A grande maioria das pessoas que sofrem de enxaqueca não procura atendimento médico para a dor.
  • Apenas 4% das pessoas que sofrem de enxaqueca que procuram atendimento médico consultam especialistas em dor de cabeça e/ou dor.

Fontes:

Dor crônica, sono ruim: saia dessa!
Dor crônica, sono ruim: saia dessa!

Resultados de inúmeras pesquisas mostram que as mulheres apresentam mais sintomas graves de depressão do que os homens. Também, insônia e sonolência diurna excessiva. Essa semana o dorcronica.blog.br posta um poderoso ebook ilustrado. O seu nome – Sono Mulher – é genérico porque engloba tudo o que a mulher com dor crônica convém saber sobre o sono ruim, ou distúrbios do sono, nos diferentes estágios de vida (menstruação, gravidez, pós-parto), ou em associação com síndromes crônicas (depressão, fibromialgia). As terapias mais (e menos) recomendadas pela ciência também têm destaque no ebook Sono Mulher.

O ebook Sono Mulher é uma chance para a mulher inteligente escapar, sozinha, dessa realidade.

“Cristo, três horas da manhã! Os médicos dizem que o corpo está na maré baixa. A alma está fora. O sangue se move devagar. Você está o mais próximo da morte que você nunca poderá estar, exceto ao morrer. O sono é um remendo de morte, mas às três da manhã, com os olhos arregalados, é a morte em vida!”

Ray Bradbury

Nessa semana, o dorcronica.blog incorpora mais um ebook à sua prateleira: o “SONO MULHER, Problemas e Soluções”. São 206 páginas ilustradas sobre os temas:

O MECANISMOSONO & DOR CRÔNICA
DISTÚRBIOS DO SONOSONO & FIBROMIALGIA
CAUSAS E CONSEQUÊNCIASSONO & DIFERENÇAS DE GÊNERO
INSONIAHIGIENE DO SONO
SONO & MENSTRUAÇÃOTRATAMENTOS MEDICAMENTOSOS
SONO & GRAVIDEZ/PERINATALMELATONINA
SONO & PÓS-PARTOTRATAMENTOS NÃO-MEDICAMENTOSOS
SONO & MENOPAUSATERAPIA COGNITIVA-COMPORTAMENTAL

Ao embarcar numa empreitada dessas, sabe-se de antemão que consome vários meses de trabalho. Haverá de se consultar inúmeras publicações científicas de primeira ordem, além de digerir webinars e lives a cargo dos maiores especialistas em sono do país. E depois achar os profissionais certos para diagramar algo que garanta uma leitura amena sobre o que a mulher precisa saber (e fazer) para dormir melhor.

A ideia da empreitada me veio à mente após assistir uma série de lives sobre dor, organizada por uma associação médica. Uma delas foi sobre Sono e Menopausa, a cargo da Dra. Andrea Toscanini. De longe, foi a que atraiu o maior número de perguntas da plateia; uma plateia, aliás, 90% feminina. E o tema, que eu não conhecia, também me pareceu superinteressante.

Contudo, uma última indagação: por que uma mulher com dor crônica se interessaria em saber sobre como dormir melhor?

A resposta me levou um mês. Um mês revisando artigos científicos publicados sobre o tema nos últimos 30 anos. (Não todos, claro, mas certamente um monte.)

Seriam quatro os motivos, resumidos a seguir. Peço notar que eles seguem uma ordem lógica, que vai desde o mais básico – “Dormir mal faz mal” – ao mais específico – “A dor crônica afeta mais a mulher do que o homem”. 

Dormir mal faz mal à mulher

Sono crônico insuficiente é um fator de risco para uma variedade de patologias psicológicas, neurológicas e neurodegenerativas, bem como disfunções cardiovasculares e metabólicas. Especialmente em mulheres. Quer mais?

A mulher tem mais problemas de insônia que o homem

Certamente. Isso já tem sido comprovado cientificamente, além de ser notório.

No geral, é comum que as mulheres sofram de problemas de sono. Em pesquisa conduzida pela National Sleep Foundation americana, até 67% das mulheres disseram ter problemas para dormir pelo menos algumas noites durante o mês anterior e 46% tiveram problemas quase todas as noites. Elas também têm um sono de qualidade inferior ao dos homens.

Descobertas mais recentes de estudos clínicos revelam que mulheres que sofrem de distúrbios do sono e sono insuficiente correm maior risco em comparação com os homens para distúrbios do humor, como depressão, bem como disfunção metabólica e cardiovascular.

A insônia é consideravelmente mais comum em mulheres do que em homens. Taxas mais altas de insônia em mulheres foram encontradas em vários estudos, e algumas estimativas colocam o risco de insônia ao longo da vida como 40% maior nas mulheres. Em adultos mais velhos, as mulheres são mais propensas a experimentar vários sintomas de insônia, ao contrário dos homens que frequentemente relatam apenas um sintoma.

Dormir mal (e sono ruim) está associado com dor crônica

A dor torna difícil ficar confortável o suficiente para adormecer. Também torna difícil permanecer dormindo, pois certas condições podem forçá-lo a se reajustar durante a noite para evitar acordar com dor. Se essa condição de vida for crônica, é natural esperar que a dor que causa também o seja.

De fato, estudos experimentais recentes sugerem que os distúrbios do sono podem prejudicar os principais processos que contribuem para o desenvolvimento e manutenção da dor crônica, incluindo a inibição da dor endógena e dor nas articulações.

A dor crônica afeta mais a mulher do que o homem

Inúmeras evidências provam que as mulheres geralmente têm doenças crônicas (ex.: enxaqueca, artrite, fibromialgia) e sentem dores mais recorrentes, intensas e duradouras do que os homens. 891011121314

ebook
SONO MULHER, Problemas e Soluções

  • Dormir mal, faz mais mal a mulher do que ao homem
  • A mulher dorme pior do que o homem
  • Dormir mal e dor crônica são parceiros
  • A dor crônica afeta mais a mulher do que o homem

Agora reflita dois minutos sobre o lido. Veja como essas quatro afirmações convergem numa única conclusão:

a mulher com dor crônica precisa de um guia para resolver, ou amenizar os problemas de sono que eventualmente enfrenta.

Quer conhecer o ebook SONO MULHER? Clique aqui.

Women, Pain & Mind: educação em dor do Brasil para o mundo
Women, Pain & Mind: educação em dor do Brasil para o mundo

Um aplicativo educacional contendo 4 mil informações sobre 21 “dores femininas”, criado no Brasil, já pode ser acessado em inglês. WOMEN, Pain & Mind é seu nome. Ele começa a ser impulsionado na América do Norte nessa semana. Educação em dor do Brasil para o mundo. Não é todo dia que isso ocorre. Este post descreve a sua origem.

“Uma zona de conforto é um ótimo local para ali nada crescer”.

Anônimo

O terceiro ato de uma peça sem tempo para acabar ocorreu semana passada, com a estreia de WOMEN, Pain & Mind, um aplicativo educacional sobre dores femininas, na internet, que fala inglês.

Porém, vamos ao começo da peça.

O primeiro ato foi a posta em marcha do aplicativo ALÍVIO em 2019. Um jogo educacional desenhado especialmente para testar o conhecimento que uma pessoa tem sobre DOR, de uma forma lúdica. Uma descrição detalhada pode ser vista aqui.

A construção do ALÍVIO permitiu obter uma dimensão do campo da dor humana, imenso, supercomplexo (para um leigo entender) e ainda semeado de mistérios que a ciência ainda não revelou.

Na prática, o aplicativo ALÍVIO trouxe uma informação inesperada: a prevalência de downloads a cargo de mulheres sem conhecimento básico da dor. Nem homens, nem médicos ou médicas… mas mulheres com dor em geral. Algo inesperado, confesso. A ferramenta abrange três níveis de complexidade, e o nível mais alto (Avançado) atende a classe médica haja visto que a DOR não tem presença significativa no ensino ministrado pela maioria das faculdades de medicina. Não foi o caso, enfim.

Mas criou-se uma oportunidade. Para um segundo ato, quero dizer. Das 2.800 informações sobre DOR – tipos, causas, sintomas, tratamentos etc. – já existentes no aplicativo ALÍVIO, um quarto eram aplicáveis à população feminina. Esse contingente podia ser extraído, ampliado e organizado por dores específicas como artrite reumatoide, fibromialgia, dor pélvica, mastalgia, ansiedade etc. Dito e feito. Nascia o aplicativo ALÍVIO Mulher, também um jogo educacional voltado para “ensinar sobre dor à mulher com dor”.  As 12 doenças/dores abrangidas inicialmente viraram 21, sendo a última a ingressar referente ao “SONO na Mulher”, com 500 afirmações. Isso foi no começo de 2020.

Ao todo, o ALÍVIO Mulher hoje contém 4 mil afirmações sobre DOR, cada uma delas fundamentada numa fonte em geral científica. Em 12 meses ele já foi baixado 33 mil vezes.

O terceiro ato, você já sabe o que é. A partir dessa semana, qualquer bípede de fala inglesa já pode acessar WOMEN, Pain & Mind, um aplicativo que é cópia de seu homônimo brasileiro, o ALÍVIO Mulher.

Se você quiser saber mais sobre a estória, fique comigo. Caso contrário, abandone o campo ao menos sabendo que WOMEN, Pain & Mind é o único aplicativo em seu gênero, no mundo. Ele é mais uma maneira deste blog cumprir a sua missão: educar sobre dores crônicas.

Mas, então, de onde surgiu a ideia? Impulsionar um aplicativo no Brasil é uma coisa, e se dispor a fazê-lo na metade do mundo, bem outra. Coisa de delirante, eu diria – não fosse eu o protagonista. Envolve investimento e tecnologia muito além do que imaginara quando comecei com o dorcronica.blog.br.

A receptividade do dorcronica.blog.br no exterior, aliás, deu o primeiro impulso. Eu nunca imaginei que gente até morando no Alasca o visitasse! E foi o que aconteceu. Atualmente, 10% dos visitantes do blog estão em Portugal, Argentina, Estados Unidos, Canadá e Chile, entre outros. Uma grata surpresa.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Um segundo alento veio de eu constatar que, em diversos países, as mulheres procuram informação sobre saúde na internet com muito mais assiduidade que os homens. Evidências disso fui colhendo em diversos países: Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Turquia e também no Brasil.

Mas, o fator decisivo para ir avante com WOMEN, Pain & Mind foi a pesquisa sobre “a percepção do atendimento médico às mulheres com dor crônica”, realizada em parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP) em novembro passado: mais de um milhar de visitantes do blog colaborou nela.

Enfim, esses foram os argumentos para criar WOMEN, Pain & Mind.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Então, como estamos? O Elon Musk põe uma nave espacial tripulada com quatro astronautas em órbita; Ugur Sahin, desenvolve uma vacina anti-Covid e se associa com a Pfizer para vendê-la a uma centena de nações; e eu ponho o WOMEN Pain & Mind no mercado de fala inglesa…

E claro, não dá para comparar, você deve estar pensando.

Engano seu. Pode apostar que estamos todos os três, felizes.

O atendimento dispensado pela medicina à mulher com dor. Uma pesquisa inédita
O atendimento dispensado pela medicina à mulher com dor. Uma pesquisa inédita

Este post orienta sobre o acesso aos resultados da Pesquisa sobre a Percepção da Mulher com Dor Crônica sobre a Valorização de suas Queixas de Dor pelos médicos e suas equipes, por mim realizada no fim de 2020. Ela contou com 1.022 participantes e se você pensava que estava “tudo bem” porque ninguém dava um pio, vai se surpreender.

“Se você quer algo novo, precisa parar de fazer algo antigo”

Peter Drucker

Há um ano me ocorreu realizar uma pesquisa sobre o atendimento médico recebido pela mulher com dor crônica. Recém terminara de escrever um ebook sobre as diferenças na percepção da dor entre homens e mulheres e notei o quanto elas eram ignoradas. Ignoradas pela pesquisa médica, pela farmacologia, pelo atendimento primário, pelos congressos médicos, pelas grades curriculares das faculdades de medicina e de outras disciplinas da saúde…

A direção da Faculdade de Medicina de Jundiaí resolveu apoiar a iniciativa. Essa faculdade é uma instituição pública municipal que oferece cursos de graduação e um programa de mestrado acadêmico. Ela mantém parcerias com dois hospitais e administra o Hospital Regional de Jundiaí. A pesquisa foi oficializada pelo Ministério da Saúde e realizada online em novembro de 2020. Um questionário de 23 perguntas ficou exposto durante 3 semanas neste blog, e obteve resposta de 1.022 mulheres.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Na época, eu me comprometi a divulgar um resumo dos resultados.

Esse documento (7 pgs) pode ser acessado aqui. (O relatório completo da pesquisa – 38 pgs – é o Manuscrito do Autor, uma vez que cabe à faculdade cuidar de sua posterior publicação numa revista científica. Será publicado no blog nos próximos dias.)

Os dois principais destaques da pesquisa foram os seguintes:

  • O atendimento que a mulher com dor crônica recebe dos médicos e das equipes de saúde, no que se refere ao aspecto afetivo de valorizar suas queixas de dor, é insatisfatório. Em cada 2 respondentes, uma se queixa disso. A equipe de saúde, é ainda mais criticada que o médico nesse particular.
  • Uma proporção importante das mulheres com dor crônica acima de 6 meses pouco aposta na medicina convencional para obter alívio ou cura. Elas preferem deixar isso nas mãos da sorte, do Acaso.

Aproveito a oportunidade de, mais uma vez, agradecer imensamente a colaboração das mulheres que responderam o questionário. Talvez não saibam, mas fizeram história: a maneira em que a medicina trata a mulher com dor é um tema inédito, antes nunca pesquisado e ainda hoje olimpicamente ignorado, no Brasil.

A Pesquisa em pauta integra o PROJETO MULHER, uma iniciativa educacional do blog que reúne publicações, ebooks, vídeos e um aplicativo que hoje conta com 32 mil downloads, destinada a beneficiar a mulher com dor crônica.

Homenagem à mulher... Que sofre com dor crônica
Homenagem à mulher... Que sofre com dor crônica

Todo ano me pergunto sobre o que uma mulher com dor crônica sente no seu dia, ou seja, no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Será que as homenagens retrospectivas corriqueiras – um político destacando os avanços da mulher na sociedade, uma feminista se queixando dos abusos… – trazem a ela algum conforto? A dúvida é válida porque essa mulher é especial, infelizmente. Ela convive com planos de saúde, consultas médicas, longas esperas em salas de espera, diagnósticos às vezes ininteligíveis, tratamentos incertos, perspectivas de cura improváveis e qualidade de vida (quase sempre) minguante.

A homenagem do blog é outra, bem mais concreta que as convencionais: quatro projetos realizados em benefício da mulher com dor crônica nos últimos 12 meses. Esse post os descreve.

“Se o sofrimento trouxer sabedoria, eu gostaria de ser menos sábio.”

William Yeats

Dia da Mulher. Homenagens por toda parte, todo ano os mesmos. As mesmas reclamações (ex.: poucas mulheres em postos de direção nas grandes empresas ou na política) e os mesmos trunfos (ex.: aproximadamente a metade dos lares e um terço dos empreendimentos novos no Brasil são chefiados por mulheres).

E nunca nada referente à saúde. Ou melhor, sobre o quanto a situação assimétrica da mulher na sociedade, se reflete no ambiente dos serviços médicos.

Então, a melhor homenagem que eu posso fazer à mulher com dor crônica nessa data comemorativa é listar o que por aqui, nesse blog, foi feito concretamente por ela nos últimos 12 meses.

Antes, um parêntese. Qual é o peso relativo da mulher com dor crônica no Brasil? Se, como dizem, a dor crônica afeta 35,5% dos brasileiros em geral, e a metade são mulheres, então teríamos 17,5% de 212 milhões = 37,1 milhões de mulheres nessa condição. Pouco não é, certo? Porém, é sabido que a dor crônica afeta mais as mulheres do que os homens: 2/3 contra 1/3, vira e mexe.34

Então, a conta vai a 48,8 milhões de mulheres com dor(es) crônica(s), ou duas Austrálias e algo mais que uma Argentina e dois Chiles – completas.  Enfim, só dizendo.

Voltando a homenagem à mulher. Foram quatro iniciativas. Em 12 meses.

No Dia da Mulher de 2020 um aplicativo educacional de nossa autoria, chamado ALÍVIO MULHER foi hospedado nas duas plataformas Google Play Store e App Store. Atualmente ele comporta 21 doenças tipicamente femininas e aproximadamente 4 mil questões fundamentadas em estudos e publicações nacionais e internacionais. Além das conhecidas, Endometriose, Cefaleia, Síndrome do Intestino Irritável, Fibromialgia, Dores Neuropáticas, Artrite Reumatoide, há outras como Cistite Infecciosa, Cistite Intersticial, Síndrome do Ovário Policístico e sobretudo Distúrbios do Sono.

A jogadora pode escolher qualquer dor/doença e testar seus conhecimentos sobre ela.

Em 12 meses o ALÍVIO MULHER já foi baixado por 32 mil mulheres. Na próxima semana, plenamente traduzido ao inglês, o app chega na América do Norte, e em seguida, a outros países de língua inglesa.

A segunda iniciativa foi o ebook DORES Femininas, ora acessível no blog, sem custo. O objetivo é complementar o aplicativo ALÍVIO MULHER. A sua leitura prévia – são 220 páginas ilustradas – permite checar o aprendido usando o aplicativo. Ou ao contrário, usar a leitura do ebook para depois checar o aprendido no jogo. Por último, se não houver interesse em checar nada, o ebook, sozinho, ensina o básico sobre todas e cada uma das principais dores/doenças crônicas não malignas que mais afligem as mulheres.

A terceira iniciativa veio em dobro: duas pesquisas sobre a mulher com dor crônica e a medicina. A primeira, sobre o atendimento médico recebido, e a segunda, sobre o que os profissionais da saúde opinam das dores femininas (se elas são diferenciadas, emocionalmente influenciadas etc.). A escolha desses temas resultou da montagem, em 2019, do ebook “O PARADOXO DE EVA”, sobre a assimetria que caracteriza os cuidados que a medicina dispensa à mulher e aponta razões não só biológicas, mas também culturais para tanto.

Ambas as pesquisas foram patrocinadas pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e aprovadas pelo Conselho de Ética em Pesquisa. O relatório da primeira pesquisa DOR NA MULHER já está disponível no blog (clique aqui para vê-lo).

Os respectivos relatórios de resultados já estão acessíveis no blog.

Uma quarta iniciativa se materializa essa semana: um ebook “SONO NA MULHER”, com 206 páginas ilustradas descrevendo tudo o que uma mulher – e homens também – devem saber para resolver seus problemas em relação ao sono. Como se sabe, dormir mal é uma característica das pessoas com dor crônica, e igualmente uma das principais causas dessa condição. Além disso, embora a má qualidade do sono afete entre 35% e 40% dos adultos, a prevalência da má qualidade de sono é quase duas vezes mais provável nas mulheres do que nos homens.

Aproveite tudo o que o blog pode oferecer para a mulher com dor crônica!