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Cannabis medicinal: o que diz o povo?

Cannabis medicinal: o que diz o povo?

No Brasil, hoje alguns milhares de médicos e médicas já prescrevem cannabis e canabinoides para seus pacientes. Estes, contudo, ainda são uma fração mínima, ridícula, se comparados a população de pessoas com dor crônica no país. Qual o motivo? O fato de, por uma série de razões, a conversa sobre a cannabis medicinal ainda estar restrita ao meio médico, e dentro deste, a um grupo molecular de profissionais. O paciente de cannabis medicinal em potencial é, quando muito, um espectador. Será que ele já ouviu falar o suficiente como para ter dúvidas sobre suas possibilidades terapêuticas? Esse post trata disso, e de como tirar essas dúvidas, se existirem.

“Perguntas nunca são estúpidas. Estúpido é aquele que nada pergunta”.

– Tamuna Tsertsvadze

A cannabis medicinal começa a aparecer como um tratamento viável para a dor crônica. Grosso modo, é o que a mídia mais ou menos confiável relacionada à saúde sugere. (“Mais ou menos confiável”, porque parte dessa mídia é “chapa branca”, ou seja, criada para servir a interesses comerciais e seria ingênuo dela esperar imparcialidade. Em se tratando de cannabis, uma substância por muitos considerada clandestina ou até letal, essa questão, a da objetividade, certamente importa.)

Em 2019, o Instituto Nacional de Abuso de Drogas nos Estados Unidos reconheceu e definiu a cannabis medicinal como “o uso da planta inteira da cannabis não processada ou seus extratos básicos para tratar sintomas de doenças e outras condições”.1

O uso de cannabis como medicamento, todavia, ainda não foi rigorosamente testado devido a restrições de produção e governamentais, resultando em pesquisas clínicas limitadas para definir a segurança e eficácia do uso de cannabis para tratar doenças.2

Segundo a Nature, uma revisão sistemática da literatura científica (1974-2015) encontrou apenas 79 ensaios clínicos de canabinoides para 10 indicações principais (como dor crônica, ansiedade e estimulação do apetite em HIV/AIDS) com qualidade científica suficiente para incluir em uma meta-análise.3

Atualmente, no entanto, esse não é o principal problema que a cannabis medicinal enfrenta na sua luta por um lugar ao sol no mercado da saúde. Ocorre que, ao igual que com o tema da “dor crônica”, ou da fibromialgia, a conversa sobre a Cannabis Medicinal permanece restrita ao establishment médico. A informação sobre o potencial terapêutico da cannabis simplesmente ainda não atingiu o grande público. Pode ser por excesso de prudência do grêmio, ou por este sentir que, assim como acontecido com a acupuntura, outras profissões relacionadas à saúde humana (ex.: fisioterapeutas, psicólogos, dentistas, preparadores físicos…) possam entrar a competir num mercado de dimensões (profissionais, empresariais e financeiras) teoricamente monumentais. Pode ser. Mas esse, sim, é um entrave decisivo para a cannabis medicinal legitimar suas pretensões terapêuticas na sociedade.

Com o tema “dor”, ou “dor crônica”, que eu bem conheço, ocorre algo parecido. Ele somente pode ser ventilado oficialmente à luz de resultados de ensaios clínicos randomizados, controlados, cegos, surdos e mudos etcetera. Dessa forma, obtém-se evidências, ou seja, achados com credibilidade científica, etcetera de novo. Tudo isso é muito bonito, mas é uma conversa entre médicos e para médicos. Serve para nada se Fulano e Sicrana, os pacientes com dor lá na ponta, continuam sem saber como tratar de sua pedestre dor nas juntas, ou dos riscos do ibuprofeno, ou de como uma dor resultante de uma torção no tornozelo pode se transformar numa dor crônica. Noutras palavras, existe uma tonelada de orientações terapêuticas relacionadas a dor crônica que dispensam comprovação científica simplesmente por serem óbvias, sensatas e seguras – à qual o cidadão comum não tem acesso. Essas indicações poderiam ser dadas a seus pacientes pelos profissionais da saúde, mas em geral não o são, em parte por falta de pedigree científico.

Mesma coisa, em se tratando de Cannabis Medicinal. Fulano e Sicrana ainda estão fora dos foros, congressos e lives sendo ofertados sobre o tema. E ali irão permanecer a menos que Fulanos como eu, mesmo iletrados e com meios limitados, tomem alguma iniciativa.

Diante disso, eu tomei 4 decisões:

  • Abrir um espaço no blog para levar informações básicas sobre cannabis medicinal aos leigos interessados.
  • Chamar os visitantes do blog, seja os diretos ou os que o acompanham nas redes sociais, e leigos de preferência, a enviarem perguntas e dúvidas básicas sobre a cannabis medicinal. Elas serão selecionadas e respondidas por acadêmico(a)s da Liga Interdisciplinar para o Estudo da Dor de Curitiba, que gentilmente se dispuseram a colaborar comigo. Caberá ao blog inicialmente coletar as perguntas e depois divulgar as respostas. Durante duas semanas tão somente.
  • Produzir um ebook ilustrado (de 40 páginas sobre tudo o que um leigo gostaria de saber sobre Cannabis Medicinal. Para tanto, revisei a literatura, consultei médicos e assisti a várias lives a cargo de gente séria, versada no assunto. Nem de longe virei expert eu também, porém foi o suficiente para me convencer de que um ebook contendo informações objetivas sobre a cannabis medicinal faria bem a muita gente. (E mais importante, ele dificilmente prejudicaria alguém.) A ideia é incentivar o envio de perguntas – quem enviar a sua, ganha o ebook.
  • Instalar no blog um FAQ destinado a cannabis medicinal. Ele irá conter todas as perguntas/dúvidas e suas respectivas respostas colhidas durante as duas semanas do projeto no ar, e mais as que forem chegando posteriormente – desde que possamos responder. Isto é importante. Lembremos que o blog não é um serviço médico e que a única intenção é a de informar o público leigo sobre o básico da cannabis medicinal. Questões mais complexas ficam para os especialistas.

Se você for portador ou portadora de uma ou mais doenças crônicas, e ainda não tiver descoberto um tratamento satisfatório, a cannabis medicinal é uma possibilidade. Pode ser, como pode não ser – no seu caso. A essa altura, no entanto, talvez valha a pena se informar a respeito. Você pode fazê-lo acessando os inúmeros sites que promovem a cannabis medicinal como solução até para males de amor, e de quebra lhe vendem alguma coisa… ou nos enviar a sua pergunta. Se tivermos uma resposta séria, com fundamento científico, para dar, o faremos. A favor ou contra o uso da cannabis medicinal, para nós, tanto faz. O que importa é a informação de qualidade.

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