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Bem-vindo à terceira etapa da epidemia, a da insanidade consciente

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Três países campeões de óbitos pela Covid 19, o Brasil entre eles, atualmente começam a reabrir depois que o coronavírus os obrigara a estabelecer um estado de bloqueio de atividades econômicas e sociais típico de situações de guerra. É um limiar desconfortável. Especialmente porque nenhum deles tem lastro científico para avalizar aquilo agora, muito menos moral para responder pelas consequências depois.

A mudança de estratégia no combate ao vírus nada tem a ver com o acirramento da epidemia, ou com se ter alcançado uma taxa de imunidade de rebanho que garanta a proteção dos ainda não infectados. Curto e grosso, o giro nada mais reflete que as imensas pressões políticas sofridas pelos governadores para responder a uma economia debilitada e a um público ansioso, mesmo quando epidemiologistas alertam para o potencial de uma segunda onda de casos.

“Quando você é o único cordato, você parece ser o único que perdeu a razão”.

Criss Jami

Nos últimos dias, uma batelada de países deu início a uma terceira etapa do combate ao vírus. Inicialmente, todos caíram do cavalo: o vírus era mesmo real, letal e, devido à incredulidade ou a negação dos governantes, impossível de ser contido. A mitigação, a segunda etapa, ocorreu aos trancos e barrancos via planos de isolamento social de todos os tipos. Quase nenhum deles deu certo, exceto os implantados na Nova Zelândia e talvez na Alemanha.

Nisso se foram dois, três meses e a “fadiga do isolamento” – como os psiquiatras batizaram o transtorno mental provocado pela prática – cobrou seu preço. A política não quis mais saber de acompanhar à risca os ditados da ciência, e boa parte dos constituintes foi atrás. Seria suicídio – político, claro – ficar à frente da boiada. Os planos de abertura etc se multiplicam com nomes tão exóticos quanto ridículos, na tentativa de disfarçar a vergonhosa retirada: Johnson tuitou que a diretriz do governo à população mudara de “stay at home” para “stay alert.” Very British. Em São Paulo, o Doria inventou uma tal de Retomada Consciente, e os vizinhos foram de Plano de Abertura Relativa Vigiada (Maduro na Venezuela) a Plano Preventivo Obrigatório Inteligente (Duque na Colômbia).

Entramos na terceira etapa: a da insanidade consciente.

Os 3 países que lideram o ranking dos mortos, os Estados Unidos, o Reino Unido e o Brasil – coincidem em aderir ao insólito: o número de mortos pela Covid 19 só aumenta porque o isolamento social funcionou pela metade, e no entanto, decreta-se a flexibilização do mesmo – o que consequentemente irá engordar a conta dos óbitos.

É de se elogiar, sim, a criatividade de alguns governos para justificar a abertura. No Pará inventaram uma projeção matemática – olha a ciência ai! – acenando com a diminuição de número de novos casos. O Rio de Janeiro corre o risco de ter seus hospitais de campanha ainda não entregues, obsoletos antes de sequer abrir as portas – uma vez que, segundo uma “otoridade” sanitária declarou nesse fim de semana, o número de camas ocupadas na UTI por conta do Covid 19 estaria diminuindo. E em Manaus, assim como no interior do estado de São Paulo e nos bairros periféricos de todas as capitais, a turma periférica foi mais prática: não esperou por projeções, ela própria se projetou à rua.

O que avaliza esse movimento pró-abertura? A curva epidêmica, carregando novos casos e mortos bem mortos, parou de subir? A imunidade de rebanho minimamente necessária para proteger os que ainda não foram infectados foi conseguida? A capacidade de testagem que permite gerenciar regionalmente o combate à epidemia, apagando em tempo os surtos que aparecerem aqui e acolá, já existe? Os (enormes) recursos físicos e humanos necessários para rastrear e confinar os que porventura testaram positivo estão prontos? E se a flexibilização resultar num aumento fulminante de novos casos e mortes, os sistemas de saúde dos estados – hoje humanamente um tanto depauperados – darão conta?

Esqueça.

E o mais chocante, hilário quase, é que a epidemia vai muito bem obrigado, o único que mudou foi a atitude de governantes e governados em relação a ela. Ao invés de se combater o vírus, ou fugir dele, optou-se por uma convivência amistosa, danem-se as previsíveis consequências. Habemus rua, habemos mortem. Qual é o problema? A influenza não mata entre 300 mil e 650 mil bípedes a cada ano no mundo todo?1 Agora agrega-se mais uns quantos e estamos conversados.

Mas sejamos justos, os políticos, os empresários, os comerciantes… à frente da abertura não estão sós. A sociedade como um todo – com exceção dos cientistas, dos médicos e dos que ralam na linha de frente dos hospitais – também aceitou. Os americanos lotaram as praias no Memorial Day, os ingleses estão a começar a sua Football League, e por aqui parece interessar mais defender (ou ofender) a democracia aos berros na Avenida Paulista do que evitar o que (a mim ao menos) parece ser uma espécie de genocídio cordial.

Enfim, eu devo estar errado. Não escreva para mim me chamando de nomes feios, ou recomendando a minha internação. São delírios, eu sei. Alucinações. É que quando você pertence a um grupo de alto risco após meses confinado começa a achar todo mundo louco, quando na verdade o doido é você. É muita insanidade, vai. E o pior é que nem vacina para isso tem.

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