Coronavirus - by dorcronica.blog.br

Bem que eu te falei. Você não ouviu. Deu no que deu.

Michael Osterholm

Primeiro foi o Dr Li Weinliang, que no hospital de Wuhan alertou para a existência de um virus mortal desconhecido. Depois foi o capitão do navio USS Theodore Roosevelt, Brett Crozier, que denunciou a presença de contágio viral em parte da tripulação. O doutor morreu e o capitão foi demitido. Agora é a vez de um respeitado epidemiologista dar a cara para os burocratas baterem, também nos Estados Unidos, o país que não por acaso disputa com o Brasil a liderança do ranking dos mortos diários pela Covid 19.  Ele diz coisas que as “ otoridades” detestam. Mas convém prestar atenção dessa vez.

“Nós simplesmente não temos certeza do que (o coronavírus) fará a seguir”.

Michael Osterholm

Michael T. Osterholm é um epidemiologista americano de doenças infecciosas, professor e diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota.

No seu curriculum há batalhas de saúde pública para rastrear e conter surtos causados ​​por influenza, E. coli O157, Staphylococcus aureus e outros patógenos ameaçadores.

Em seu livro de 2017, “O inimigo mais mortal: nossa guerra contra os germes assassinos”, Osterholm e o co-autor Mark Olshaker guiam os leitores por uma galeria desonesta de agentes infecciosos e seu potencial de causar estragos na saúde pública e nas economias do mundo. Três anos antes da crise atual, Osterholm tocou o alarme da combinação perturbadora das doenças por coronavírus ao alertar: “Eles têm uma taxa de mortalidade relativamente alta e podem se espalhar rapidamente em humanos”.

Na atual pandemia Osterholm funcionou como whistleblower – o cara que bota a boca no trombone e que ninguém leva a sério até ser tarde demais. 

A seguir, trechos de uma entrevista recente concedida a Terry Gross, do site FreshAir. 

A duração da pandemia e o desafio que coloca.

“(Se virmos) um aumento dos casos nos próximos dois meses, acho que isso realmente nos diria que provavelmente teremos essa grande segunda onda… que poderia ser muito pior (que a primeira).

E se você observar as pandemias de gripe, elas duraram anos, não apenas alguns meses. Por isso, o desafio hoje consiste em ajudar as pessoas a entender como viver com esse vírus tanto quanto as ajudamos a entender como morrer por causa dele.”

Nota do blog: “Como viver com esse vírus” parece ser uma questão que atualmente muita gente com idade abaixo dos 50 anos pensa que deveria interessar apenas aos que têm acima dos 60.

Conseguir a imunidade de rebanho demora muitos meses… e muitas mortes.

“Eu acho que o único que devemos ter em mente o tempo todo é que, até o momento, temos cerca de 5 a 7% da população dos EUA infectada com esse vírus. É isso aí. Toda a dor, sofrimento, morte e perturbação econômica abrangeram de 5 a 7%. (Portanto) esse vírus não vai desacelerar a transmissão em geral.”

Nota do blog: Ou seja, o vírus tem ainda muito a fazer antes de sair de cena.

Como podemos conseguir que a população faça o que é necessário para reduzir a transmissão, antes que a doença nos leve a um nível de 60 ou 70% (de infectados na população do país?).

“Serão meses e meses”.

Nota do blog: Eis a sinuca de bico em que estamos: por um lado, individualmente não queremos nos infectar, e por outro lado, coletivamente precisamos nos infectar. A única saída é esperar por uma vacina tomando precauções para sobreviver até lá, o que vai demorar vários meses. O vai-e-volta de uma quarentena meia-boca, porém, funcionou como um salvo-conduto para a população desidratá-la cada vez mais. Começar de zero uma quarentena de lei agora, na base da persuasão?

O Principal Fator Contaminante

“Superfícies desempenham um papel muito, muito pequeno, na transmissão desse vírus. Acho que exageramos em relação à desinfecção e deixamos as pessoas muito nervosas por abrirem um pacote, esse tipo de coisa. Isso foi infeliz. (A infecção) é toda pelo ar. Respirar o ar de outra pessoa quando o vírus está presente. É isso aí.

…ao ar livre… o vírus se dissipa rapidamente no ar. Se houver algum movimento do ar ao redor, ele literalmente afasta a nuvem (viral) e, de certa forma, a desintegra. E isso significa muito menos exposição para alguém que estiver respirando o ar perto de alguém que possa estar infectado.”

“…o maior fator de risco que temos para transmitir esse vírus é basicamente o ar interior, onde estamos em grandes multidões, onde estamos compartilhando esse ar com as pessoas ao nosso redor. Qualquer atividade que aumente, como vozes altas, gritos, cantos, pode aumentar o vírus que está sendo aerossolizado ou basicamente colocado no ar.”

Nota do blog. O principal fator contaminante é o ar, no entanto ainda não se sabe ao certo como este transporta o vírus, a partir de que quantidade (de partículas virais), a que distância e por quanto tempo. Assim sendo, as recomendações para você ficar a um metro de distância de outrem, ou a um metro e oitenta centímetros, ou mais do que isso…são basicamente “chutes”.

Os aerossóis

“(Nós dois conversando) enchemos uma sala de aerossóis. Se você realmente tiver uma câmera especial (que existe e você pode fazer isso), pode ver (isso) … após apenas 20 ou 30 minutos de conversa. Portanto, tudo o que move o ar e o move mais rapidamente é certamente útil. …

Se você estiver em um prédio onde o sistema de aquecimento, ventilação e refrigeração não esteja movendo o ar com muita frequência, o aerossol que essa pessoa estiver respirando na sala de conferências aumentará com o tempo. E então, sim, você terá um risco maior nesse tipo de cenário.”

Nota do blog. Uma das teorias sobre o início da pandemia em Wuhan é que foi o sistema de ar condicionado de um restaurante que espalhou o vírus.

“Só sei que nada sei”

“(Estamos recém) tentando medir a exposição que alguém provavelmente terá em um ambiente público – exposição em termos de tempo (de exposição) e dose (carga viral ambiental).

Se eu abrir a janela de um carro, reduzirei o risco em cinco vezes? Dez vezes? Qual é o meu risco nesse momento? Qual é o meu risco se eu estiver com 50 pessoas versus 10 pessoas? Quais são as chances de eu realmente entrar em contato com o vírus? Precisamos muito dessa informação.”

Nota do blog. O paradoxo: nunca tantas pessoas ingeriram tantas informações em tão curto espaço de tempo sobre um tema – o novo coronavírus e a doença que causa, a Covid 19 – sobre o qual ainda se sabe tão pouco.

O puzzle dos testes

“Acho que a FDA fez um trabalho miserável ao supervisionar a regulamentação e a autorização dos testes de anticorpos (testes sorológicos, rápidos ou não). Hoje, existem mais de 100 [desses testes] nos Estados Unidos… Vimos vários deles fornecer resultados muito, muito ruins. … Se eu testasse um grande segmento da população hoje, metade de todos os resultados positivos seriam realmente falsos positivos – o que significa que essas pessoas não tinham o anticorpo… Eu não o usaria esses testes neste momento como uma maneira de dizer a um paciente que ele tem ou não COVID.

(Aliás, nós ainda) nem sequer sabemos o que um anticorpo realmente significa em termos da proteção (de uma pessoa humana).”

Nota do blog: Tanto em nível de países (ex.: Coréia do Sul versus Brasil), como de regiões dentro de um país (ex.: Veneto versus Lombardia na Itália), a oportunidade e qualidade da estratégia de testagem faz a diferença entre o sucesso e o fracasso de um país ou de uma região no combate à Covid 19. Uma testagem massiva, bem no começou do surto viral, utilizando o tipo de teste de diagnóstico certo (RT-PCR), e respeitando o período de infecção certo de cada pessoa, tem se revelado a fórmula correta. Alô, Brasil! Tem alguém lendo isto por aí?

O Novo Normal

“Picos de infecções quase certamente continuarão até que uma vacina eficaz esteja amplamente disponível ou grande parte da população se torne imune ao vírus.”

Nota do blog: Semanas atrás a pergunta recorrente dos entrevistadores da TV aos seus convidados cientistas, médicos e políticos era: “Você pode nos dizer quando isto vai acabar?” Esse questionamento agora é incomum. Já está claro que esta pandemia é cíclica. Não se sabe se ela o é per se, ou porque a pugna entre as autoridades e a população sobre o grau de respeito que uma quarentena merece nunca será resolvida.

O artigo original foi escrito por Terry Gross e postado no site NPR. Amy Salit e Joel Wolfram produziram e editaram o áudio desta entrevista. Bridget Bentz, Molly Seavy-Nesper, Meghan Sullivan e Carmel Wroth o adaptaram para a Web.

Quer conhecer as previsões feitas pelo Dr. Osterholm assim que a pandemia surgiu? Nem Nostradamus teria feito melhor.

Declarações de Osterholm dadas à mídia americana, de fevereiro em diante.

“Bem, temos que entender que estamos montando este tigre; não o estamos dirigindo. Este vírus [SARS-CoV-2] fará o que fará. O que podemos fazer é apenas mordiscar as bordas. Não é bom dizer ao público que podemos controlar esse vírus de maneira significativa”.

“Eu não acho que estamos nos comunicando muito bem com o público, porque eu tenho que contar a essas pessoas que, mesmo se descobrirmos uma vacina [COVID-19] que mostrasse alguma evidência de proteção até setembro, estaríamos longe de ter uma vacina (em condições de ser aplicada à população)”.

“Isso não vai parar até infectar 60 a 70% das pessoas… A ideia de que isso será feito em breve desafia a microbiologia”.

“Atualmente, há muitos dados mostrando como é fácil transmitir isso no ar pela respiração. Você pode literalmente entrar em uma sala, onde alguém com o vírus está respirando, e o vírus estará flutuando no ar…”. Não significa que onde quer que eu ande eu vou ser infectado. Mas se você estiver perto de alguém que está infectado, você tem uma boa chance de se infectar.”

“Quando ouço Nova York falando sobre o fato de que eles estão na parte de trás da montanha, eu sei que eles passaram pelo inferno. Mas eles precisam entender que não é uma montanha. É um sopé. Ainda há montanhas a percorrer. Temos muitas pessoas para serem infectadas [com o coronavírus] antes que isso acabe.”

“Daqui para frente ainda enfrentaremos dias difíceis [com o COVID-19], e é aí que a credibilidade da liderança será crucial. Você precisa confiar no indivíduo que está lhe dizendo o quão ruim as coisas são, quão ruins elas ficarão… ao longo do próximo ano ou dois.”

“Como país, estamos despreparados não apenas logisticamente, mas mentalmente para esta próxima fase [COVID-19] …. A maneira como você prepara as pessoas para uma corrida e maratona é muito diferente. Como país, estamos totalmente despreparados para a maratona que temos pela frente.”

“Tem que haver uma abordagem intermediária. Abrir a economia e a vida cotidiana de uma maneira que permita detectar rapidamente o surgimento de novas ondas de [SARS-CoV -2]. Depois, fazemos o que pudermos novamente com o distanciamento físico para limitar a propagação da nova infecção”.

“À medida que aprendemos mais sobre a transmissão desse vírus [SARS-CoV-2], fica muito claro que ele é pelo menos, se não mais, infeccioso do que o que o mundo experimentou na histórica pandemia de influenza de 1918. E eu estou convencido de que esta pandemia está seguindo o que experimentamos em 1918.”

“Há 60 dias, essa infecção por vírus [SARS-CoV-2] não estava nem entre as 75 principais causas de morte nos Estados Unidos… Durante a última semana e meia, tem sido a principal causa de morte no dia seguinte, dia após dia. Isso é sério. Esta não é uma gripe”.

“A questão é: o que é preciso para você ser infectado [com o coronavírus]? E essa é a pergunta de trilhões de dólares que temos… Talvez seja preciso apenas um aerossol. Você não precisa de gotículas em absoluto.”

“Este nem sequer é o começo do fim [da pandemia do COVID-19]; antes, este é o fim do começo, agora precisamos perceber que temos um longo caminho pela frente”.

“Há uma questão de gênero aqui [com COVID-19] – o homem é mais infectado que a mulher – e não pode ser explicada apenas pela obesidade e pelo fumo. A obesidade é igual entre os dois, o tabagismo é quase igual entre os dois. Nenhum de nós sabe”.

“Essa primeira onda [do coronavírus]… é apenas o começo do que poderia ser facilmente de 16 a 18 meses de atividade substancial desse vírus em todo o mundo, indo e vindo, onda após onda…”.

“Acho que as pessoas não entenderam que essa [pandemia do COVID-19] não é sobre as próximas duas semanas… Isso é sobre os próximos dois anos”.

“A menos que você possa suprimir completamente esse vírus, ele voltará e continuará voltando enquanto houver pessoas suscetíveis”

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2 respostas

  1. Otimo como sempre . Gostaria de divulgar este artigo para sec de Saude de Uberaba . Primeiro se posso, segundo não consigo copiar.

    1. Agradeço por seus comentários. Sempre tão gentil. Claro que pode divulgar. Vou mandar uma versão para seu e-mail. Abs, Julio

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