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Antidepressivos para dor crônica? Como assim?

Antidepressivos para dor crônica? Como assim?

A primeira vez que uma amiga me disse estar tomando antidepressivos para uma dor crônica cervical, a minha primeira reação foi de surpresa. Isso foi há uma década, e eu estava errado. Os antidepressivos hoje são reconhecidamente a base no tratamento de muitas condições de dor crônica – mesmo quando a depressão não é um fator. Isso já foi informado parcialmente nesse blog, mas uma matéria a cargo do staff médico da Clínica Mayo me motivou a retornar ao assunto, agora mais detalhadamente.

“A surpresa é o maior presente que a vida pode nos conceder”.

– Boris Pasternak

Pois é, não estranhe se o seu médico os receita para isso.

Os antidepressivos são frequentemente prescritos para dor crônica, especialmente dor relacionada à doença nervosa (chamada dor neuropática), dor lombar crônica ou no pescoço e certos tipos de artrite. De fato, algumas diretrizes para o tratamento da dor lombar crônica e da osteoartrite (o tipo mais comum de artrite) incluem antidepressivos. Um antidepressivo em particular, a duloxetina, é aprovado pelo FDA americano para essas condições.

Nada demais, por sinal. Alguns dos medicamentos mais eficazes e comumente usados para dor crônica são medicamentos desenvolvidos para tratar outras condições. É o caso dos antidepressivos.

Embora não sejam especificamente destinados a tratar a dor crônica, eles são um pilar no tratamento de muitas condições de dor crônica, mesmo quando a depressão não é reconhecida como um fator.

Coisas como:

  • Artrite
  • Danos nos nervos por diabetes (neuropatia diabética)
  • Danos nos nervos por herpes zoster
  • Cefaleia tensional
  • Enxaqueca
  • Dor facial
  • Fibromialgia
  • Dor lombar
  • Dor pélvica
  • Dor devido à esclerose múltipla…

E pasme você: o mecanismo analgésico dessas drogas ainda não é totalmente compreendido.

A explicação mais aceita é a de que os antidepressivos podem aumentar os neurotransmissores na medula espinhal que reduzem os sinais de dor. Ou seja, eles podem afetar diretamente como seu cérebro detecta certos tipos de dor. Além disso, se você tem depressão ou ansiedade, esses remédios podem aliviar esses sintomas, o que também pode ajudar a aliviar sua dor.

Contudo, pasme você de novo: a maneira em que eles afetam substâncias químicas no cérebro envolvidas na percepção da dor, é diferente de como eles combatem a depressão. Ou seja, um mesmo antidepressivo ajuda a controlar a depressão e a reduzir a dor, mas ao que parece o faz por vias distintas. Mistérios da medicina.

Mas de que antidepressivos estamos falando?

Há vários grupos de antidepressivos e eu não poderia abranger todos nesse breve relato. Basta com dizer que um dos grupos de antidepressivos mais eficazes são os chamados tricíclicos, descobertos em 1950, mas para tratar da depressão e não da dor. Eles incluem várias versões de nomes inquietantes: Amitriptilina, Nortriptilina, Protriptilina, Doxepina…

Por fim, os antidepressivos não funcionam imediatamente. Você pode sentir algum alívio de um antidepressivo após uma semana ou mais, mas o alívio máximo pode levar várias semanas. E o nível desse alívio, em geral, é moderado.

Para pessoas com dor lombar crônica ou no pescoço ou osteoartrite do quadril ou joelho, por exemplo, um antidepressivo não é o primeiro tratamento recomendado. Antes disso, deveriam vir fisioterapia, exercícios, perda de excesso de peso, medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou injeções de cortisona.

Medicamentos com mecanismos distintos de alívio da dor (como anticonvulsivantes) podem ser usados em combinação com medicamentos da classe antidepressiva se o alívio da dor com antidepressivos for incompleto.

Tipos de antidepressivos

Os antidepressivos tricíclicos são o tipo mais comum de antidepressivo usado para a dor.

Eles incluem:

  • Amitriptilina
  • Nortriptilina (Pamelor)
  • Protriptilina (Vivactil)
  • Doxepina (Silenor)
  • Imipramina (Tofranil)
  • Clomipramina (Anafranil)
  • Desipramina (Norpramin)

Efeitos colaterais

A maioria das pessoas é capaz de tomar antidepressivos tricíclicos, particularmente em doses baixas, com apenas efeitos colaterais leves. As doses que são eficazes para a dor são geralmente mais baixas do que as doses usadas para a depressão. É importante notar que os medicamentos antidepressivos estão associados a um risco ligeiramente aumentado de pensamentos ou ações suicidas.

Os efeitos colaterais dos antidepressivos tricíclicos podem incluir:

  • Visão desfocada
  • Sonolência
  • Boca seca
  • Náusea
  • Tontura ao se levantar devido a uma queda na pressão arterial (hipotensão ortostática)
  • Ganho de peso
  • Dificuldade em pensar claramente
  • Constipação
  • Dificuldade em urinar
  • Problemas de ritmo cardíaco
  • Problemas para ter relações sexuais

Para reduzir ou prevenir esses efeitos, o médico (ou médica) provavelmente iniciará com uma dose baixa e aumentará lentamente a quantidade.

Outras classes de antidepressivos tornaram-se mais populares porque têm menos efeitos colaterais. Esses medicamentos também podem ser usados para ajudar a aliviar a dor crônica. São os iInibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSNs). Alguns deles, como venlafaxina, duloxetina, milnaciprano e desvenlafaxina, podem ajudar a aliviar a dor crônica.

Pessoas com dor crônica geralmente desenvolvem depressão

A venlafaxina e a duloxetina oferecem a vantagem de serem eficazes para a depressão e a ansiedade nas mesmas dosagens úteis para o tratamento da dor. A venlafaxina pode causar sonolência, insônia ou pressão arterial elevada e pode piorar problemas cardíacos. A duloxetina pode causar efeitos colaterais, como sonolência, insônia, náusea, boca seca, tontura, constipação ou sudorese excessiva.

O milnaciprano é usado para aliviar a dor da fibromialgia e pode causar efeitos colaterais como náusea e sonolência. No entanto, mostrou apenas eficácia limitada no alívio de outros tipos de dor.

Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs), que incluem medicamentos como paroxetina (Paxil) e fluoxetina (Sarafem, Prozac), podem ajudar a aliviar certos tipos de dor, mas faltam evidências de que ajudem a aliviar a dor nos nervos. Os ISRSs podem aumentar os efeitos analgésicos de alguns antidepressivos tricíclicos, aumentando os níveis de antidepressivos tricíclicos no sangue. Se o seu médico prescrever ambos os medicamentos, eles devem ser usados com cautela.

Os ISRSs geralmente não funcionam tão bem quanto os antidepressivos tricíclicos para a dor, mas geralmente produzem menos efeitos colaterais. A fluoxetina pode causar certos efeitos colaterais, como insônia e tontura.

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