Amor, Dor & Cia. - Pode, uma coisa dessas?

Amor, Dor & Cia. - Pode, uma coisa dessas?

Experiências profundamente gratificantes, como o amor, podem naturalmente reduzir a dor, por meio dos estreitos laços neurológicos entre o processamento da recompensa e as regiões de processamento da dor no cérebro. Que tal isso de presente para O Dia dos Namorados?

“O amor é um fogo. Mas se vai aquecer seu coração ou queimar sua casa, você nunca poderá dizer.”

Joan Crawford

Você conhece alguma música sertaneja que deixe de fora a palavra “paixão”? Duvido. E há ciência nisso, acredite.

“Apaixonar-se faz com que nosso corpo libere uma avalanche de substâncias químicas que ativam reações físicas específicas”, disse Pat Mumby, PhD, co-diretor da Clínica Loyola de Bem-Estar Sexual da Universidade Loyola, em Chicago (EUA). “Esse elixir interno do amor é responsável por deixar nossas bochechas rosadas, e fazer nossas palmas suarem e nossos corações correrem.”

O que se apaixonar faz ao seu coração e cérebro

Os níveis de dopamina, adrenalina e norepinefrina, aumentam quando duas pessoas se apaixonam. A dopamina cria sentimentos de euforia, enquanto a adrenalina e a norepinefrina são responsáveis ​​pela agitação do coração, inquietação e preocupação geral que acompanham a experiência do amor.

Exames de ressonância magnética indicam que o amor ilumina o centro de prazer do cérebro. Quando nos apaixonamos, o fluxo sanguíneo aumenta nessa área do cérebro, a mesma implicada em comportamentos obsessivo-compulsivos.

Os níveis de dopamina, adrenalina e norepinefrina aumentam, gerando sentimentos de euforia, inquietação e excitação.

Ok, apaixonar-se é prazeroso… mas será também analgésico?

Yes!, afirma um novo estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford. Sentimentos intensos e apaixonados podem proporcionar um alívio da dor incrivelmente eficaz, semelhante a analgésicos ou drogas ilícitas, como a cocaína, nada menos.

Os pesquisadores da Stanford já sabiam de estudos de neuroimagem humana mostrando uma associação entre os sentimentos experimentados durante os estágios iniciais de um relacionamento romântico e ativações neurais em várias regiões do sistema de recompensas do cérebro envolvendo a dopamina – um  neurotransmissor primário que influencia o humor, a recompensa e a motivação.

Por outro lado, vários estudos básicos em animais também teriam comprovado que regiões de processamento de recompensas no cérebro, como o nucleus accumbens e a área tegmentar ventral estariam criticamente envolvidas na analgesia.

Figura: O alívio da dor induzido pelo amor é associado à ativação de estruturas cerebrais primitivas que controlam experiências recompensadoras, como o nucleus accumbens – mostrado aqui em vermelho.

No estudo da Stanford a hipótese testada foi a de que a visualização de fotos de um parceiro romântico aliviaria a dor, e que isso se deveria a ativações neurais em centros de processamento de recompensas.

Quinze indivíduos nos primeiros nove meses de um relacionamento novo e romântico, foram examinados via neuroimagem (fMRI). Os participantes completaram três tarefas em períodos de dor térmica moderada e alta:

  1. vendo fotos de seu parceiro romântico,
  2. visualizando fotos de um conhecido igualmente atraente e familiar, e
  3. engajando-se numa tarefa de distração de associação de palavras comprovadamente capaz de reduzir a dor.

Resultados: As tarefas números 1) e 3) reduziram significativamente a dor, embora apenas a tarefa número 1), a da visualização das fotos do parceiro, foi associada à ativação de sistemas de recompensa.

Estreitos laços neurológicos ligariam o processamento de recompensas as regiões de processamento da dor no cérebro.

Ou seja, apaixonar-se é analgésico – ao menos nas primeiras etapas. (Nota do editor: nas últimas pode ser purgante).

Cautelas:

  • Não foi possível determinar qual estrutura ou sistema neural é crítico para a analgesia induzida pelo amor.
  • Houve muita variabilidade individual na analgesia experimentada ao se olhar as fotos da pessoa amada.
  • O conhecimento dos sistemas de recompensa no cérebro e de como eles influenciam a dor está longe de estar dominado.


De qualquer maneira, anime-se. Se você padecer de alguma dor crônica não específica e já tentou de tudo – remédios, TENS, neurofeedback, acupuntura, massagem, ioga e Tai-Chi, terreiros e shamans… – no intuito de se aliviar, apresse-se por se apaixonar. Hoje mesmo, se possível. Quem sabe, dessa vez vai.

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