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Alívio Mulher: do Brasil para o mundo

Alívio Mulher: do Brasil para o mundo

Nessa semana, eu vou logo avisando, fui seduzido pelo fascínio da autoadmiração. Como eu me amo! É que o aplicativo Alívio Mulher acaba de atingir 50 mil downloads no Brasil. Traduzido ao inglês e ao espanhol, também já foi baixado por mais 10 mil mulheres em vários outros países americanos e europeus.

Sim, eu preciso explicar. Do contrário, você vai pensar que eu ouço sereias cantando todo dia. É menos frequente do que isso.

O Alívio Mulher é um dos quatro aplicativos que o dorcronica.blog já criou e postou na internet. Para que qualquer pessoa pudesse aprender gratuitamente sobre dor, ou sobre estresse ou sobre o coronavírus. (Um quinto aplicativo, dedicado a fibromialgia está a caminho.)

Todos eles são jogos digitais e se baseiam em poderosos bancos de dados construídos sobre cada tema respectivo.

O aplicativo Alívio Mulher dá acesso instantâneo a mais de 4 mil informações sobre 21 doenças crônicas em que a mulher prevalece, plenamente ou parcialmente, sobre o homem. A maioria absoluta dessas informações foi extraída de publicações científicas respeitadas, como o New England Journal of Medicine, The Lancet, The Journal of the American Medical Association/JAMA, The British Medical Journal, Nature e PAIN. A respectiva fonte é sempre explicitada.

Eu tenho especial carinho por esse aplicativo. Nem tanto porque pesquisar e organizar aquelas 4 mil informações deu um trabalho danado, mas porque me brindou uma das experiências mais insólitas (e repulsivas) da minha vida.

Ocorreu que um dia eu pensei que uma associação médica, dessas que existem em nível estadual, estaria interessada em divulgar o aplicativo a seus associados… talvez com a venturosa intenção de que estes repassassem a informação para suas pacientes… justamente para que elas se informassem sobre as dores que sentiam. Foi o que eu pensei. Relacionando coisa com coisa. Fazia sentido, não acha?

Enfim, lá fui eu apresentar o meu invento. Entrevistar-me com o médico que, segundo me disseram com muita reverência, era quem decidia “essas coisas” por ser “o dono da Medicina baseada em Evidências”. O dito cujo, que devia aparecer na reunião marcada para as 14:00 apareceu as 15:30, e demorou 5 minutos em concluir que o Alívio Mulher servia para nada. A razão? Você adivinhou: falta de evidências científicas. Para obtê-las, eu teria que montar dois grupos de bípedes e fazer um ensaio duplo cego, surdo e mudo com eles, ou neles, e provar que o grupo que usasse o aplicativo teria algum ganho superior ao do grupo de controle que usasse, por exemplo, um outro aplicativo sobre encontros clandestinos ou de delivery de pizzas.

Ou seja, existia a séria suspeita de que essas 4 mil informações sobre dor pélvica, mastalgia, endometriose, depressão etc., mesmo que referenciadas cientificamente cada uma delas, fossem etéreas, inúteis. Por exemplo, isso da fibromialgia apresentar a fadiga como um dos seus sintomas, conforme reconhecido pela comunidade científica de todo o planeta desde 1990, seria algo assim como um fake news…até que comprovada no Brasil, pela via de uma pesquisa aprovada pelo Comité de Ética em Pesquisa (CEP), que responde ao Conselho Nacional de Saúde, que responde ao Ministro da Saúde, e por aí vai para terminar nunca.

Pois bem, depois desse estúpido incidente, eu postei o aplicativo nas plataformas Apple/Google, e o impulsionei via marketing digital, primeiro em Portugal, depois nos Estados Unidos e na medida que a audiência crescia e crescia – tem gente usando-o no Alaska, acredite! – estendi a operação para Argentina, Chile, Canada, Espanha…

Meio ano depois, o resultado é claro: 60 mil downloads ao todo e vamos que vamos. Sessenta mil evidências muito individuais de que o Alívio Mulher tem valor para quem é do gênero feminino e sofre com alguma dor crônica. E isso me basta e eu aposto que basta às mulheres que o usam também. O resto é resto.

Ora, o mundo mudou, a medicina também precisa mudar. Num país continental como o Brasil é ótimo falar em Medicina baseada em Evidências, e usar esse condão para barrar injeções epidurais ou prescrições de opioides desnecessárias. Eu entendo isso, mas negar informação básica sobre dor a quem tem dor? De maneira rápida, clara e gratuita? Ora, isso é uma imbecilidade retumbante.

Não, não vou me desculpar pelo autoelogio. Eu mereço. Nem tanto por ter conseguido esse bom resultado sem o apoio de quem deveria apoiar iniciativas do tipo. Por definição.

Mas principalmente por provar a minha tese de que a educação em dor num país como o Brasil não precisa ser perfeita. Precisa, sim, na sua expressão básica, chegar ao maior número de pessoas possível, de maneira clara, lúdica, velozmente e sem custo. O único meio para se conseguir isso é a internet. Sabendo-a usar, consegue-se agregar algum valor a mais portadores de dores crônicas em 6 meses, do que se escondendo atrás da Medicina baseada em Evidências durante 6 anos. Algo me diz que os conselhos, associações e grêmios de profissionais da saúde no Brasil ainda não atentaram para isso.

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