Coronavirus - by dorcronica.blog.br

Alergias à vacina anti-covid-19. Convém se precaver?

Alergias à vacina anti-covid-19. Convém se precaver?

Até agora, quatro pessoas tiveram reações alérgicas depois de receber a vacina Pfizer-BioNTech. Os especialistas dizem que isso não deve impedir a maioria das pessoas de receber a vacina, além de concordarem que sempre pode haver reações adversas às vacinas e a qualquer tipo de medicamento em algumas pessoas, como com alimentos, mas são casos excepcionais.

“A verdadeira prevenção não é esperar que coisas ruins aconteçam, é impedir que essas coisas aconteçam em primeiro lugar.”

– Don McPherson

Reações alérgicas relatadas em dois profissionais de saúde que receberam uma dose da vacina da Pfizer no Alasca nesta semana reacenderam a preocupação de que pessoas com histórico de alergias deveriam evitar tomar qualquer vacina anti-Covid-19. Uma inferência super-saborosa para os produtores de fake news.

Não é o caso. Alergias em geral é uma coisa, e crises imunológicas extremas – para as quais a vacina pode não ser recomendável – outra bem distinta. Um estudo de 2015 nos Estados Unidos investigando a anafilaxia – uma reação alérgica grave e com risco de vida – descobriu 1,31 casos para cada milhão de doses administradas de vacinas contra poliomielite, sarampo, meningite etc.

Num outro estudo recentemente realizado em Santa Catarina, as taxas de anafilaxia ficaram em 5,05 casos por 100.000 doses administradas, respectivamente.

Significa isso que as pessoas em geral evitar se informar sobre a relação alergia/vacinas Covid-19?

Certamente, não. Duas razões. A primeira: doenças alérgicas incluem um amplo espectro de perigos potenciais, desde anafilaxia, com alto risco à vida, a alergia alimentar, algumas formas de asma, rinite, conjuntivite, angioedema, urticária, eczema, doenças eosinofílicas como esofagite eosinofílica, alergia a fármacos e a insetos.

A segunda razão é que alergias afetam muito mais gente do que se pensa. Em todo o mundo, a prevalência de rinite alérgica, por exemplo, atinge cerca de 10 a 30% dos adultos e 40% das crianças. Mais especificamente, entre 10 a 41% em adultos na União Europeia.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil, 30% da população possui algum tipo de alergia. A rinite alérgica é uma das mais altas do mundo com 25% de prevalência, seguido pela asma alérgica, atingindo cerca de 20% da população infantil e adolescente do país.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Imagem da entrevista dada à TV pela profissional da saúde que teve reação alérgica à vacina Pfizer na Inglaterra.

Daqueles dois incidentes ocorridos no Alaska, apenas um justificou hospitalização. Outro par de casos ocorreu na Grã-Bretanha, afetando pessoas que tinham histórico médico de reações alérgicas graves, mas não tinham problemas com qualquer um dos ingredientes da vacina. Enfim, depois de uma injeção de epinefrina – o tratamento típico para anafilaxia, todos os três parecem ter se recuperado.

Como era de se esperar, as agências sanitárias dos dois países se mexeram velozmente. As britânicas se posicionaram contra o uso da vacina da Pfizer em pessoas que já tiveram reações anafiláticas a alimentos, medicamentos ou vacinas. O FDA americano, por sua vez, está revisando com a Pfizer as fichas técnicas e as informações de prescrição da vacina destinadas ao público sujeito a reações alérgicas.

As causas dos incidentes antes mencionados podem não estar ligadas a vacina propriamente dita, mas a sua aplicação. Isso, porque as reações foram imediatas, ocorrendo minutos após a injeção. Isso faz recair suspeitas sobre o modo como as vacinas são transportadas, descongeladas ou administradas, o que, no caso da Pfizer exige logística particularmente complexa e, portanto, sujeita a falhas.

Os ensaios clínicos da Pfizer alertavam para eventuais reações negativas?

Para começar, a Pfizer-BioNTech excluiu pessoas com histórico de anafilaxia às vacinas de seus ensaios clínicos. No seu teste clínico com 42.000 pessoas no global, a taxa foi semelhante entre aqueles que receberam a vacina contra o coronavírus e aqueles que receberam um placebo. Apenas 137 pessoas que receberam a vacina (ou 0,63%), relataram sintomas sugerindo uma reação alérgica, em comparação com 111 pessoas do grupo (0,51%) que recebeu o placebo. E das 18.801 que receberam a vacina na Fase 3, apenas uma experimentou reações alérgicas leves e outra teve anafilaxia. O incidente foi considerado não relacionado à vacina.

De fato, um aviso-padrão para vacinas é o de que não devem ser administradas a ninguém com “histórico conhecido de reação alérgica grave” a qualquer componente da vacina. Eis a recomendação do FDA americano.

Mas quem, fora os que já tiveram crises de anafilaxia, se preocupa em conhecer esses componentes? Pior ainda: onde estão essas informações?

Contudo, não há evidências de que pessoas com alergias leves, precisem evitar a vacina. As alergias são uma resposta imunológica exagerada contra algo inofensivo – pólen, amendoim, pelo de gato e semelhantes. Em geral, os sintomas não passam de coriza, tosse ou espirros.

“As pessoas com alergias comuns não têm mais probabilidade do que o público em geral de ter uma reação alérgica à vacina Pfizer-BioNTech Covid-19”.

Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia

E quanto às pessoas com histórico de alergias graves?

Pessoas com histórico de anafilaxia a qualquer outra substância, incluindo outras vacinas ou drogas injetáveis, ainda podem ser vacinadas, mas devem consultar seu médico e ser monitoradas por 30 minutos após a vacinação. Todos os outros, como pessoas com alergia leve ou sem alergia, precisam esperar apenas 15 minutos antes de deixar o local de vacinação. Essa é a recomendação dos Centers of Disease and Prevention Control (CDC) americano.

E a vacina da Moderna?

Dois voluntários no teste clínico de estágio final da Moderna desenvolveram reações anafiláticas. Nenhum dos dois foi considerado como estando ligado à vacina da empresa, que também contém mRNA, porque ocorreram semanas ou meses após os participantes terem recebido suas vacinas. Um desses voluntários também tinha histórico de asma e alergia a frutos do mar.

A Moderna, ao contrário da Pfizer, não excluiu pessoas com histórico de anafilaxia de seus testes.

Obs. Informações semelhantes às anteriores sobre as vacinas da AstraZeneca/Oxford, Sputinink V e Coronavac, não foram encontradas.

Nota do blog:

Este post se inspirou no artigo “REAÇÕES ALÉRGICAS À VACINA DA PFIZER” de autoria de Katherine J. Wu, publicado na edição do 19/12/20 do The New York Times.

LEMBRE-SE: use máscara
Cadastre-se E receba nosso newsletter

Veja outros posts relacionados…

nenhum

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CONHEÇA FIBRODOR, UM SITE EXCLUSIVO SOBRE FIBROMIALGIA
CLIQUE AQUI