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Alemanha e Brasil no controle da pandemia: mesmo fracasso, mesmo motivo

Alemanha e Brasil no controle da pandemia: nada a comemorar

Mais de 50.000 pessoas morreram na Alemanha desde outubro. Para um país que liderou o controle da pandemia durante a primeira onda, foi uma reversão chocante. Para o Brasil, que somou mais de 70 mil mortos no mesmo período, nem tanto. Porém, ambos os países têm um denominador comum: a complacência dos políticos diante da necessidade de oportunamente se adotar medidas radicais para controlar a pandemia, e de mantê-las fiscalizadas pelo tempo que for necessário.

“Apesar dos avisos, nada acontece até que o status quo se torne mais doloroso do que a mudança.”

Laurence J. Peter

Nota do blog:

Ontem eu tinha agendada uma consulta médica e transitei (de carro) pelas ruas da cidade um tempo. A última vez que fiz isso foi 2 meses atrás. Notei que a adesão ao uso de máscaras caiu bastante – isso de usá-la embaixo do nariz deve ser uma moda copiada do BBB, suponho. E lembrei da ridícula comemoração do Governador Dória, quando na Semana Santa do ano passado a taxa de distanciamento social da Cidade de São Paulo atingiu 59%. Obrigado paulistanos! A gente queria “um pouco assim como 75%”, mas mesmo assim está bom demais. Uma façanha, tudo pela ciência e tal. Na semana seguinte, a taxa desceu a 50% e em dias de semana jamais voltou a passar disso.

Lembrei, então, de um dos membros do Centro de Contingência do Coronavírus do Estado de São Paulo, epidemiologista, que há pouco apareceu numa rede paga de TV declarando que a recomendação do grupo não foi absolutamente a de flexibilizar o semi-lockdown, medida adotada e logo revertida pelo Governo do estado.

Gestão Doria antecipou o fim do decreto que colocava todo o estado na fase vermelha do plano de flexibilização econômica aos sábados, domingos e feriados. Medida entrou em vigor em 25 de janeiro e permaneceria até 7 de fevereiro, mas foi revogada nesta quarta (3).

O homem parecia mesmo indignado. Segundo ele, o Governador sequer avisou os eminentes doutores integrantes do Centro da tal reversão. Uma omissão temerária porque, convenhamos, é desse grupo que depende a roupagem científica que o dito cujo sempre tenta dar aos seus discursos. Se esse aval é perdido junto com a paciência dos senhores cientistas, uma outra garantia vai ter que ser importada do Iêmen.

Enfim, nesses devaneios eu estava quando me deparei com um artigo publicado na quinta-feira 11/02, pelo The New York Times.

De autoria de uma colunista alemã, Ana Sauerbrey, o seu título diz tudo: “Como a Alemanha perdeu o controle do vírus”. É um relato assustador por dois motivos. Primeiro, por mostrar o quanto a incompetência e complacência de governantes e políticos podem custar em termos de vidas humanas durante uma pandemia, e segundo, porque até um cego vê que o que ocorreu na Alemanha, em parte já está ocorrendo no Brasil e em São Paulo.

A seguir, trechos do artigo mencionado.

“Perdemos o controle dessa coisa.”

Essas foram as palavras da chanceler Angela Merkel da Alemanha, no final de janeiro. Na Alemanha, que na quarta-feira prolongou seu atual bloqueio até pelo menos 7 de março, as coisas estão ruins: desde outubro, os casos dispararam e mais de 50.000 pessoas morreram.

Mas a Alemanha não foi um dos líderes globais no controle da pandemia durante a primeira onda?

Sim, mas quando o outono chegou, as coisas começaram a dar errado. E não foi má sorte. Foi a política.

Em março, enquanto o vírus se espalhava pela Europa, escolas, lojas e restaurantes foram fechados e reuniões de mais de duas pessoas proibidas. Deu muito certo. Durante o verão, houve muito poucas restrições – e muito pouco Covid-19.

Mas na primeira semana de outubro, o número de casos era tão alto quanto quando o primeiro bloqueio foi imposto em março. Muitos explicaram o aumento apontando para o aumento do número de exames, ignorando a clara tendência de aumento dos casos. Nada foi feito. No final de outubro, o número de casos diários havia mais do que triplicado. A resposta foi tímida: fechar restaurantes e bares, mas deixar as escolas abertas.

Foi apenas antes do Natal, que os políticos fecharam o país.

A decisão veio tão tarde que, no início de janeiro, algumas unidades de terapia intensiva estavam sobrecarregadas. As mortes diárias às vezes quadruplicaram seu ponto mais alto na primeira onda. Na primeira quinzena de janeiro, o número de mortes por 100 mil habitantes excedeu temporariamente o dos Estados Unidos. Aproximadamente 90% dos que morreram na segunda onda tinham 70 anos ou mais.

Por que isso aconteceu?

Conflitos entre os 16 governadores regionais e a chanceler Merkel, que pressionou demais visando uma demonstração de poder, para começar.

A falta de vacina também jogou lenha na fogueira, especialmente quando os alemães olham para a velocidade do lançamento da vacina na Grã-Bretanha. Para piorar as coisas, o jornal Handelsblatt informou que o governo federal alemão espera que a vacina da Oxford-AstraZeneca tenha uma eficácia de apenas 8% entre os maiores de 65 anos. A AstraZeneca foi rápida em derrubar a história, mas o ministério da saúde alemão insistiu em que ‘não pode confirmar relatórios recentes de eficácia reduzida da vacina AstraZeneca’.

Eis o mais recente exemplo da bagunça do lançamento na Alemanha. Todos, desde políticos até a mídia e os próprios produtores de vacinas, são culpados por esse desastre.

Semana passada, apenas 4% dos alemães tinham tomado uma vacina (comparando com 25% dos ingleses). O único que restou foi ameaçar com manter o lockdown até que haja menos de 10 casos por 100.000 habitantes por semana. Afinal, essa medida extrema de contenção de uma pandemia fora de controle – o lockdown de verdade – não fugiu à regra e, na marra, conseguiu reduzir drasticamente o número de novos casos e de mortos pela Covid-19.

Alemanha
Alemanha x Vacina
4%
Inglaterra
Inglaterra x Vacina
25%
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