Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Afinal, as vacinas protegem contra a variante delta?

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Embora muita gente ignore, as vacinas não são destinadas a prevenir infecções – as anti-Covid-19, inclusive. Em bom português, o vacinado pode eventualmente ser infectado pelo novo coronavírus tanto quanto um não vacinado. A sua vantagem é a de não vir a adoecer gravemente, ser hospitalizado ou ir à óbito, tanto quanto o não vacinado. A força das vacinas anti-Covid-19, então, está em evitar que a infecção adoeça as pessoas e as leve ao hospital. Contudo, essas vacinas têm graus de efetividade e protocolos operacionais diferentes. Isso influencia a proteção que uma ou outra oferece diante da variante Delta? Se você já se vacinou ou irá fazê-lo, suponho que a resposta a essa questão lhe interesse.

“Em Veneza, na Idade Média, você contratava alguém para andar na sua frente à noite com uma lanterna acesa, mostrando o caminho, espantando ladrões e demônios, trazendo você confiança e proteção nas ruas escuras.”

Elizabeth Gilbert

Nota do blog: Esse homem chamava codega. Hoje ele chamaria vacina.

Para começar, nenhuma vacina no mundo protege completamente contra qualquer cepa viral. Quanto a variante Delta, das vacinas em ação no país, umas protegem mais do que outras. Eis o foco desse post.

Dito isso, como se mede a proteção vacinal? Existem duas maneiras de responder a essa pergunta.

Uma delas é a análise de amostras de sangue de pessoas totalmente vacinadas. Anticorpos Covid-19 encontrados nessas amostras de sangue são testados contra variantes. Vários estudos de laboratório que usam esse método de avaliação apontam que as vacinas em uso, de fato, protegem contra a variante Delta do SARS-CoV-2, bem como reduzem as hospitalizações. Porém, são estudos preliminares e não foram revisados ​​por pares. Eles também não mostram outras formas em que o sistema imunológico atua contra a Covid-19, porque medem apenas a resposta de anticorpos. As células T, por exemplo, não foram estudadas. Elas matam células infectadas e aproveitam o poder de outras células do sistema imunológico na luta contra os vírus.

Um dos estudos, todavia, revelou que o soro de pessoas vacinadas tem potência reduzida contra a variante Delta. É outra forma de dizer que as vacinas anti-Covid que conhecemos são efetivas neutralizando a variante Delta, porém menos efetivas do que no caso das outras variantes. A capacidade de neutralizar essa cepa é 2,5 vezes menor para o imunizante da Pfizer e 4,3 vezes menor para o da Astrazeneca.

A segunda maneira de determinar a eficácia da vacina é simplesmente observar o que está acontecendo no mundo real em tempo real. O Reino Unido é o melhor exemplo. Em cada 10 cidadãos, 7 já receberam pelo menos uma dose vacinal, mas a variante Delta já predomina e os novos casos de infectados com ela estão aumentando velozmente.

Afinal, as vacinas anti-Covid-19 conhecidas, protegem contra a variante Delta?

Os autores do artigo da Public Health England (PHE) antes mencionado, nada menos que 59 pesquisadores de 6 países concluíram que vacinas mRNA (Pfizer, Moderna) e de vetor viral (Oxford AstraZeneca) protegem contra a variante Delta, mas são menos eficazes, especialmente entre pessoas em que a resposta imune não seja suficientemente eficaz após a vacinação, entre os mais velhos ou entre pessoas que tenham a imunidade mais frágil com o passar do tempo.

Eles descobriram que a vacina Pfizer-BioNTech mostrou uma eficácia de 33% contra Delta após uma única injeção e 88% após ambas as doses, quando sintomática. Isso em comparação com 93% de eficácia contra a variante Alfa, identificada pela primeira vez na Grã-Bretanha.

No caso da vacina AstraZeneca, a eficácia foi de apenas 33% após a primeira dose, mas subiu para 60% após a segunda dose. Duas doses da vacina AstraZeneca foram 60% eficazes contra a doença sintomática do Delta em comparação com a eficácia de 66% contra o Alfa, disse o PHE.

Novas pesquisas iniciais sugerem que a vacina da Moderna é menos eficaz contra a variante Delta e a eficácia da vacina da Johnson & Johnson é de cerca de apenas 60%.

Mas em Israel, onde 57,1% da população já tomou as duas doses das vacinas, aproximadamente metade das infecções pela variante Delta ocorreram entre os que tomaram as duas doses da vacina da Pfizer. Isso fez com que Israel retomasse a obrigação do uso de máscaras.

Enfim, não é por nada que especialistas em doenças infecciosas em diversos países (EUA, Reino Unido, Chile, Uruguai, entre outros) estão avaliando a necessidade de doses de reforço usando vacinas de mRNA. No Brasil, aliás, o Instituto Butantan também participa nessa corrida.12

E a vacina da Sinovac em relação à variante Delta?

Pesquisadores chineses descobriram que essas vacinas não reduzem o risco de casos graves e sintomáticos causados pela Delta, tanto quanto as outras vacinas. Um porta-voz da Sinovac, Liu Peicheng, disse à Reuters que os resultados preliminares com base em amostras de sangue dos vacinados mostraram uma redução de três vezes no efeito neutralizante contra o Delta. Essa informação foi confirmada por nada menos que Feng Zijian, ex-vice-diretor do Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças, à mídia estatal em junho.

Uma medida chave da potência da vacina é o nível de anticorpos neutralizantes – as proteínas que o sistema imunológico produz que impedem o vírus de infectar as células. As vacinas Pfizer e Moderna produzem níveis muito altos desses anticorpos, mas os anticorpos desencadeados pelas vacinas chinesas são menos eficazes contra o Delta do que outras variantes, Zijian disse. E acenou com a possibilidade de uma injeção de reforço para quem segue o regime de vacinação baseado em duas doses, ainda que sem dar detalhes. Aliás, o hermetismo chinês tem prejudicado qualquer revisão significativa por especialistas estrangeiros.

De fato, a Sinovac/Coronavac produziu níveis mais baixos desses anticorpos neutralizantes do vírus, mesmo após duas doses, do que sete outras vacinas, incluindo as da Pfizer, Moderna, Oxford-AstraZeneca e Johnson & Johnson, de acordo com um estudo na revista Nature Medicine.  A resposta do anticorpo foi ainda menos eficaz contra a variante Delta.

Mas, o que essa diferença significa para os pacientes? A Sinovac/Coronavac ainda se iguala às outras em evitar casos graves, hospitalizações e mortes. O Uruguai, por exemplo, em junho reduziu infecções (61%), hospitalizações (92%) e mortes (95%). Porém, há dúvidas quanto a sua capacidade para frear a circulação do vírus em nível nacional. O Chile – onde aproximadamente metade da população recebeu a Sinovac – é o exemplo mais citado nesse particular. Na semana passada, pesquisadores da Universidad de Chile publicaram estudo mostrando a Sinovac/Coronavac ser menos eficaz contra as variantes Gama, Alfa e Lambda do coronavírus, do que as outras vacinas, e especialmente contra a variante brasileira P.1 (Gama), dominante no Chile.34

A situação chilena sugere que a efetividade da vacina experimental Coronavac é significativamente menor do que a eficácia apurada em ensaios, especialmente contra a variante Gama. Quanto a variante Delta, não há dados, porém pode-se presumir que a proteção seja ainda menor.

E no Brasil, onde também a Coronavac ainda é a vacina prevalente, as infecções têm diminuído num ritmo muito inferior ao das hospitalizações e mortes. Ninguém ventila abertamente a participação da (relativa) baixa eficácia da vacina chinesa em relação a isso – aliás, um fato científico e de conhecimento público – mas não há como evitar a suspeita.5

Pontos -Chave

  • Pessoas vacinadas têm um bom grau de proteção, inclusive contra essa variante Delta. A maioria das hospitalizações e mortes por Covid-19 nas últimas semanas ocorreu entre as não vacinadas. A contenção das infecções ocorre em grau bem menor.
  • As vacinas anti-Covid-19 sendo aplicadas no Brasil protegem contra a variante Delta, mas são menos eficazes do que em relação a outras variantes (com exceção da variante da África do Sul), especialmente entre pessoas pertencentes a certos grupos de risco (ex.: idosos).
  • Face às novas variantes do vírus, das quais a variante Delta é uma ponta-de-lança, uma terceira dose das vacinas de dose dupla conhecidas é provável.
  • As vacinas chinesas merecem atenção. Os dados sobre a proteção oferecida contra as variantes em geral, comparando com a proteção das vacinas baseadas em tecnologia mRNA, começam a ficar “incômodos”.
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