Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Afinal, a dor serve a um propósito?

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O paciente com dor crônica faz bem em descobrir rapidamente que ela não é uma dor aguda. Se assim fosse, poderia se esperar uma recuperação em questão de semanas a base de repouso inicial, fisioterapia, um ou outro analgésico (ou anti-inflamatório, quando muito) e fim, ferida cicatrizada e tudo (ou quase) voltando a ser como dantes. Essa expectativa de uma cura rápida e de pouco sacrifício, é equivocada no caso da dor crônica, que requer tratamento diferente ao anterior, até por não haver lesão aparente etc. Pior ainda, ela é contraproducente.

A inevitável frustração do paciente com dor crônica, seja com o médico, o fisioterapeuta, a medicação e tudo que parecer falho no seu tratamento, certamente funciona como antiterapia. No seu caso, distinguir entre a dor fugaz que ajuda a se curar de uma lesão, e a dor persistente que nada cura, é crucial para evitar comorbidades emocionais como ansiedade e depressão.

Autora: Rogene Fisher

“A dor certa é o sistema de alerta do corpo”, disse o Dr. Edward Covington, diretor do Programa de Reabilitação da Dor Crônica da Clínica Cleveland. “Dor nociceptiva intensa é a dor certa. É a dor que avisa que seu apêndice está prestes a romper ou que alguém pisou em seu pé.”

A maioria das pessoas não sofre de dores nociceptivas, que são causadas por lesões ou traumas nos tecidos do corpo, mas sim por dores crônicas, disse Covington. De fato, cerca de 70 milhões de americanos são parcial ou totalmente incapacitados por dores crônicas debilitantes, de acordo com a National Pain Foundation. E apesar dos avanços no tratamento da dor, muitas pessoas se animam a rejeitar ou ignorar a dor. 

“Dor certa” versus “Dor errada”

Ao tratar a dor, os pacientes e seus médicos de atenção primária muitas vezes negligenciam a distinção entre uma dor certa e uma dor errada, dizem muitos especialistas. Os pacientes querem saber exatamente o que está causando sua dor, e os médicos frequentemente procuram uma causa física subjacente. Mas essa costuma ser a abordagem errada. “Em muitos casos, a própria dor é a doença”, disse Covington.

Dor como uma oportunidade

Dave Markowitz, autor de Perspectives: A Radical Approach to Healing, está do outro lado do espectro de cura. Filho de um farmacêutico, Markowitz decidiu seguir um caminho decididamente não farmacêutico para lidar com a dor crônica, usando de tudo, desde a meditação até a canalização espiritual com seus clientes.

Markowitz acredita que a dor crônica pode sinalizar preocupações emocionais ou espirituais subjacentes. Ele recorreu a terapias alternativas quando a medicina ocidental falhou em aliviar sua dor. “Qualquer situação, incluindo dor, pode ser um fardo ou uma oportunidade. A dor pode ser uma amiga, se olharmos para isso como uma oportunidade”, disse ele.

Para Markowitz, chegar à raiz emocional da dor pode ser a chave para destrancá-la. Ele disse que teve uma sessão extraordinariamente bem-sucedida com uma cliente que disse sofrer de ciática há 40 anos. Com a ajuda de Markowitz, a mulher percebeu que sua dor estava associada a sentimentos de responsabilidade, vinculados ao relacionamento com a filha. Ao final da sessão, disse Markowitz, a mulher disse que 80% de sua dor havia desaparecido.

No diagnóstico de dor crônica, disse Markowitz, pacientes e médicos podem ficar “presos” a um determinado plano de tratamento. “Há pessoas que realmente precisam de medicação. No entanto, a dor não passa. Ela apenas fica bloqueada com a medicação. Acredito que isso pode desencadear uma reação em cadeia e uma espiral descendente de problemas de saúde.

“Se alguém está sentindo dor há décadas, parece sensato que deveríamos olhar para outros tipos de tratamento para lidar com a dor”, disse ele.

Markowitz disse que enfatiza o fortalecimento pessoal e que a cura pode ocorrer rapidamente quando o cliente está mentalmente pronto. “A última coisa que quero é ver um cliente por seis meses”, disse ele.

Tratamentos de alta tecnologia versus tratamentos alternativos para a dor crônica

Esses tipos de terapias não tradicionais estão sendo adotados por mais médicos, mas muitas pessoas ainda acreditam que uma pílula ou injeção é a única maneira de lidar com dores graves.

“Os americanos foram seduzidos pela tecnologia. É empolgante, sexy e incrivelmente lucrativa. Mas nenhum tratamento é tão eficaz quanto um programa de reabilitação multidisciplinar”, disse Covington, da Clínica Cleveland.

“As terapias cognitivas, por exemplo, custam menos e apresentam muito menos riscos do que as cirurgias e os tratamentos farmacêuticos, mas tendem a receber pouca atenção e o governo e as seguradoras muitas vezes não os cobrem”, disse ele. Por meio da terapia, “os pacientes podem reduzir sua sensação de sofrimento mudando comportamentos inadequados e aprendendo novas estratégias de enfrentamento”.

Covington acredita que pacientes e médicos muitas vezes desejam soluções rápidas e fáceis para um problema. “Você pode prescrever uma receita em 30 segundos e o paciente pode tomar uma pílula em 30 segundos. O resultado é que as pessoas gastam mais com saúde, mas recebem menos.”

“Precisamos reconhecer que toda dor não tem origem somática (corporal). Isso significa que os pacientes afetados por dores crônicas podem precisar mudar suas dietas, adotar ou alterar regimes de exercícios ou resolver problemas psicológicos para fazer um progresso real no alívio dessas dores. Não existem poções mágicas.”

Baseado no post “Does Pain Serve a Purpose?” de Rogene Fisher, publicado em 13/12/2006 no abcnews.com

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