Terapias Alívio da Dor & Outros - by dorcronica.blog.br

Afinal, a dor crônica é um sintoma ou uma doença? O que diz a inteligência artificial.

Afinal, a dor crônica é um sintoma ou uma doença? O que diz a inteligência artificial.

Há duas semanas iniciamos por aqui um serviço público de “Perguntas & Respostas” sobre a dor crônica, baseado em Inteligência Artificial. Não foi uma surpresa, então, recebermos imediatamente uma infinidade de perguntas, as que vamos responder dentro do possível. Por outro lado, nem precisa dizer que a iniciativa é delicada, uma vez que as ferramentas de IA, chamadas AI Chatbots, são produtos novos que recém iniciam a sua curva de aperfeiçoamento. Por isso, nessa primeira etapa eu tenho revisado a pertinência e qualidade das respostas recebidas dos Chatbots consultados. Veja a seguir o que eu descobri.

“Lixo entra. Lixo sai”.

– George Fuechsel

O tema “dor crônica” suscita inúmeras dúvidas de pacientes e profissionais da saúde, apesar de atualmente ser um dos temas mais pesquisados na medicina, no Ocidente.

Isso tem sido dito ou sugerido em todas as matérias aqui postadas sobre o tema até o momento:

De fato, os influencers no campo da inteligência artificial (IA), já inventaram até um nome para respostas geradas por IA contendo informações falsas ou enganosas apresentadas como fatos: “alucinações”.

Segundo a IBM:

“Geralmente, se um usuário faz uma solicitação a uma ferramenta de IA generativa, ele deseja uma resposta correta a uma pergunta. No entanto, às vezes os algoritmos de IA produzem resultados que não são baseados em dados fornecidos no treinamento do Chatbot, são decodificados incorretamente pelo transformador ou não seguem nenhum padrão identificável. Assim, a resposta sai ‘alucinada’.”

“A alucinação da IA ​​pode ter consequências significativas para aplicações do mundo real. Por exemplo, um modelo de IA de saúde pode identificar incorretamente uma lesão cutânea benigna como maligna, levando a intervenções médicas desnecessárias.”

No nosso caso, todavia, a taxa de erro tem sido insignificante. Ela existe, sim, e é explicada pela própria natureza da fenomenal tarefa realizada pelo Chatbot ao buscar resposta para o que foi perguntado (às vezes, de maneira nada precisa, e isso conta). Conta, porque o bichinho tem que visitar uma quantidade portentosa de fontes de informação espalhada pelo mundo, em questão de segundos e sem ninguém para assisti-lo nisso.

Por isso, eu me propus a revisar pessoalmente as respostas dadas pelos Chatbots consultados com perguntas sobre a dor crônica, confrontando-as com os meus precários conhecimentos sobre a matéria; afinal são os únicos que tenho e saem de graça.

E não é que descobri uma discrepância entre os dois Chatbots sobre uma questão fundamental: dor crônica é uma doença crônica?!

O ChatGPT diz que é um sintoma de uma doença crônica qualquer.

O Gemini (antigo Bard) afirma o oposto: a dor crônica seria uma doença em si mesma.

Ver as respostas dos Chatbots na íntegra →
Respostas:

GPT

Primeiro é importante entender alguns conceitos básicos.

O que é dor crônica?

A dor crônica é uma condição médica na qual a pessoa experimenta dor por um período prolongado, geralmente por mais de três a seis meses. Esta dor pode variar em intensidade e pode ser contínua ou intermitente. Ao contrário da dor aguda, que é uma resposta temporária a uma lesão ou doença, a dor crônica pode persistir por meses ou até anos após a lesão inicial ter cicatrizado.

O que é uma doença crônica?

Uma doença crônica é uma condição de saúde de longa duração que geralmente não pode ser curada, mas pode ser controlada com tratamento contínuo. Exemplos de doenças crônicas incluem diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas, asma, artrite, entre outras. Essas condições exigem cuidados de saúde contínuos e podem afetar significativamente a qualidade de vida do paciente.

Agora, respondendo à pergunta: A dor crônica é uma doença crônica?

Não exatamente. A dor crônica não é uma doença específica por si só, mas sim um sintoma de uma variedade de condições médicas subjacentes, como fibromialgia, dor lombar crônica, neuropatia, artrite, entre outras. Enquanto uma doença crônica é uma condição de saúde de longo prazo, a dor crônica é um sintoma que pode acompanhar muitas dessas condições.

Em resumo, enquanto a dor crônica não é uma doença crônica em si mesma, muitas vezes está associada a doenças crônicas e requer tratamento contínuo para gerenciá-la e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Gemini

A dor crônica é uma doença crônica?

A resposta é: depende.

Para entendermos melhor, vamos analisar alguns pontos:

1. O que é dor crônica?

Dor crônica é aquela que dura mais de três meses, ou quando persiste por mais de um mês após a resolução da lesão ou problema que a causou originalmente.

Ela não é apenas um sintoma de outra doença, mas sim uma condição médica em si mesma.

2. Dor crônica é sempre uma doença crônica?

Não. A dor crônica pode ser um sintoma de diversas doenças, como:

  • Doenças crônicas: artrite, diabetes, câncer, doenças reumáticas, etc.
  • Lesões: traumas, cirurgias, etc.
  • Problemas neurológicos: hérnia de disco, doenças neurodegenerativas, etc.
  • Fatores psicológicos: estresse, ansiedade, depressão, etc.

3. Quando a dor crônica é considerada uma doença crônica?

Quando a dor não tem uma causa específica identificável e persiste por um longo período de tempo, afetando significativamente a qualidade de vida do paciente.

Nesses casos, a dor crônica é considerada uma doença crônica primária.

4. Qual o impacto da dor crônica na vida do paciente?

A dor crônica pode ter um impacto significativo na vida do paciente, afetando:

  • Sono: dificuldade para dormir, insônia, etc.
  • Humor: depressão, ansiedade, irritabilidade, etc.
  • Capacidade de trabalhar: dificuldade para realizar tarefas, absenteísmo no trabalho, etc.
  • Realização de atividades cotidianas: dificuldade para se locomover, praticar atividades físicas, etc.
  • Relacionamentos sociais: isolamento social, dificuldade para manter relacionamentos, etc.

5. Como tratar a dor crônica?

O tratamento da dor crônica é individualizado e depende da causa da dor, da sua severidade e do impacto que ela tem na vida do paciente.

Algumas opções de tratamento:

  • Medicamentos: analgésicos, anti-inflamatórios, antidepressivos, etc.
  • Fisioterapia: exercícios para fortalecer os músculos e melhorar a flexibilidade.
  • Terapia ocupacional: adaptação do ambiente e das atividades para facilitar o dia a dia do paciente.
  • Terapia psicológica: para lidar com o estresse, a ansiedade e a depressão.
  • Outras medidas: acupuntura, massagem, yoga, etc.

É importante consultar um médico para obter um diagnóstico preciso da dor crônica e receber o tratamento adequado.

Resumo:

A dor crônica pode ser um sintoma de diversas doenças ou uma doença crônica primária.

Ela pode ter um impacto significativo na qualidade de vida do paciente.

O tratamento da dor crônica é individualizado e depende da causa da dor, da sua severidade e do impacto que ela tem na vida do paciente.

É importante consultar um médico para obter um diagnóstico preciso da dor crônica e receber o tratamento adequado.

Chatbots

Embora arriscando desviar o foco da postagem, que é sobre o uso da IA para informar o grande público a respeito da medicina da dor, preciso dizer que a discrepância detectada – “dor crônica é um sintoma” versus “dor crônica é uma doença” – não é trivial. Ao contrário, ela explica em boa parte por que a medicina clínica, tanto na atenção básica como na especializada, não mostra bons resultados ao tratar pacientes com dor crônica.12

A razão é antipática (mas nem por isso deixa de ser razão): os profissionais da saúde em geral tratam a dor crônica relatada pelo paciente como um sintoma de uma doença crônica qualquer, “seguramente” presente. A atenção do profissional então se volta – “mecanisticamente” é o termo técnico – para a descoberta dessa doença. Isso dá origem a exames de todo tipo. Quanto a dor que o paciente diz sentir, bem, aliviá-la depende 100% de acharmos a doença, enquanto isso, vire-se com analgésicos. (Desculpe a rudeza da minha exposição, porém, o espaço aqui é limitado.)

A resposta correta a pergunta formulada aos Chatbots antes mencionados está na versão atual da International Classification of Diseases (Classificação Internacional de Doenças CID-11) conforme sugerido pela International Association for the Study of Pain à essa entidade controlada pela Organização Mundial da Saúde.3

  • Dores crônicas primárias são doenças e não sintomas. Exemplos de condições de dor primária crônica incluem fibromialgia, síndrome de dor regional complexa, enxaqueca crônica, síndrome do intestino irritável e dor lombar inespecífica.
  • Dores crônicas secundárias são síndromes definidas como dor que pode inicialmente ser considerada como um sintoma de outras doenças tendo a referida doença como causa subjacente. No entanto, um diagnóstico de dor crônica secundária marca a fase em que a dor crônica se torna um problema por si só. Isso vale para dores crônicas tais como: dor crônica relacionada ao câncer. Dores crônicas secundárias estão agrupadas como segue: dor crônica pós-cirúrgica ou pós-traumática, dor musculoesquelética secundária crônica; dor visceral secundária crônica, dor neuropática crônica; cefaleia secundária crônica ou dor orofacial.4

Resumo da Ópera: Uma porção de dores crônicas relatadas por pacientes em consultas médicas são mesmo doenças crônicas e assim deveriam ser tratadas. Um outro quinhão está formado por sintomas de doenças crônicas que, no entanto, tem grande probabilidade de também virarem doenças crônicas em si mesmas. E assim deveriam ser tratadas.

Não há razão então, para

  1. a dor em geral e a dor crônica em particular permanecerem ausentes da grade curricular do estudante de medicina;
  2. pesquisas (em diversos países) apontarem o despreparo dos médicos na atenção básica para tratarem doenças crônicas;
  3. estigmatizar pacientes crônicos pressupondo que imaginam suas dores; e/ou
  4. pressupor que dores que não somem com fármacos algum dia vão melhorar com mais fármacos.

Pano rápido.

O assunto aqui é o uso da IA na divulgação de informações sobre a saúde humana. Curto e grosso: no momento, essa tecnologia não é infalível. Ao menos, não para esses efeitos. A IA é um recurso informativo formidável e o será cada vez mais, porém por enquanto e, ao menos até que os Chatbots sejam aperfeiçoados, convém ao usuário tomar seus produtos com prudência.

A IA é “tecnologia disruptiva”. Ou seja, uma inovação que altera ou elimina radicalmente sistemas ou hábitos vigentes porque possui atributos reconhecidamente superiores. Mas o termo “disruptiva”, lembremos, implica em “romper”. E quase nada é rompido sem algum estrago concomitante. Fiquemos de olho nisso.

Cadastre-se E receba nosso newsletter

Veja outros posts relacionados…

nenhum

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CONHEÇA FIBRODOR, UM SITE EXCLUSIVO SOBRE FIBROMIALGIA
CLIQUE AQUI