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A onda dos esquecidos crônicos

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Igual às cirurgias eletivas, os serviços de prevenção e tratamento das doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão e diabetes, entre outras, foram severamente interrompidos desde o início da pandemia do Covid-19. A extensão do impacto disso sobre os pacientes, e por tabela sobre o sistema de saúde, será conhecida mais adiante, mas pode-se adiantar que não será pequena. Pouco ou nada atualmente se fala no Brasil sobre essa ameaça concreta e visível. Eis o tema desse post. 

“Tudo na vida depende de como você gerencia o Plano B.”

Anónimo

A minha cirurgia estava marcada para fim de fevereiro. De complexidade nem maior nem menor, era necessária em todo caso. Soube depois que ela chamava “eletiva”. “Eletiva” do verbo “eleger”. Só que quem elegia – quando fazer – não era eu. A cirurgia foi adiada, então. Assim como milhares de outros procedimentos, tratamentos, consultas, intervenções etc., pelo Brasil afora. E olha que a minha situação não era, nem ainda é, tão dramática quanto a de um paciente grave com câncer que precisa de hemodiálise várias vezes por semana. Ou a de outros portadores de doenças crônicas sofrendo… você adivinhou… dores crônicas. Porém, de repente todos ficamos literalmente “ao Deus dará”, primeiro dependendo da contenção da epidemia, depois da sua mitigação, e por último, do… da… enfim, se você souber do quê, o endereço é contato@dorcronica.blog.br, não hesite em me iluminar.

A coisa é séria. Para começar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até a virada do ano, 81% de todas as mortes na região das Américas se deviam às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como a diabetes, a hipertensão e as cardiovasculares. Em cada 4 dessas mortes, 1 era prematura, uma vez que ocorria antes dos 70 anos. Antes da pandemia, então, essas doençam matavam muita, muita gente; depois dela, essa cifra só pode aumentar.

Carissa Etienne, diretora regional da OMS, há dias advertiu sobre “uma epidemia paralela de mortes preveníveis de pessoas”. Por mortes preveníveis, entenda-se mortes “evitáveis” causadas por DCNT´s.

A doutora tem razão. Perceba que essas mortes não emanam diretamente da Covid-19, como as comentadas num post anterior. Elas são consequência de o surto viral ter monopolizado os serviços de saúde, deixando os portadores de outros problemas (às vezes igualmente) sérios, desassistidos.

Como as cirurgias eletivas, a prevenção e o tratamento das DCNT´s foram severamente interrompidos desde o início da pandemia da Covid-19.

Uma pesquisa da OMS abrangendo 155 países e realizada em maio, apontou o seguinte:

  • mais da metade (53%) dos países pesquisados ​​suspendeu parcial ou totalmente o tratamento da hipertensão;
  • 49%, o tratamento de diabetes e complicações relacionadas ao diabetes;
  • 42%, o tratamento de câncer e
  • 31% as emergências cardiovasculares.
  • Serviços de reabilitação – ex.: os destinados a um paciente na pós cirurgia – também foram interrompidos em quase dois terços (63%) dos países, embora a reabilitação seja a chave para uma recuperação saudável após uma doença grave.


Em suma, o alerta é que a Covid-19 afetou (e continua afetando) significativamente os serviços de saúde para doenças crônicas em todo o mundo. (Das cirurgias eletivas & Cia, nem falo.)

6 em 10 americanos têm uma doença crônica como doença cardíaca, diabetes, asma, pressão alta, doença pulmonar obstrutiva crônica, depressão, artrite, dor crônica ou outra condição recorrente. Por que no Brasil seria muito diferente?

No Brasil, em cada 10 hospitais privados, quase 9 diminuíram os atendimentos e procedimentos (Opa! Aqui incluídas as cirurgias eletivas.) em decorrência da pandemia da Covid-19. A razão mais notória foi a massiva transferência dos profissionais de saúde para atender as exigências da pandemia. Menos comentado, porém não menos importante, foi a queda na procura por serviços de saúde devido ao medo de infecção hospitalar (também relacionada ao novo coronavirus).

A extensão do impacto das interrupções nos cuidados de saúde durante a covid-19 em pessoas com DCNT´s somente será conhecida mais adiante, mas pode-se adiantar que não será pequena. Antes da Covid-19 era sabido que essas doenças afetavam um terço da população mundial. Assim que as consequências do surto viral começaram a ser conhecidas na China, percebeu-se que os portadores tendiam a ficar gravemente doentes com o vírus, e que paralelamente muitos teriam seus tratamentos de saúde interrompidos.

  • Agora está se prevendo mais chumbo vindo por aí, para quando a pandemia amainar. Do lado da procura, inicialmente talvez nem tanto porque o virus não irá sumir por completo e haverá sempre receio de se deparar com ele dentro de um hospital, de uma clínica, de um laboratório ou de um consultório. Existe então a possibilidade de os pacientes chegarem aos poucos.
  • Mas pelo lado da oferta, o atendimento médico e hospitalar dificilmente será o mesmo, em termos de qualidade técnica, afeto e prestância, que o de antes dele ser posto à prova, e quase atropelado, pelo surto viral. As equipes médicas foram mermadas pelos infectados enviados para casa ou para a morgue, os controles médicos flexibilizados (devido à urgência), e espaços e pessoal reutilizados (aprendendo protocolos novos, mas perdendo algum domínio dos antigos etc.). A máquina da prestação de serviços de saúde no Brasil aguentou o que pode, mas não sairá impune desse tremendo esforço.

O new normal dos portadores de doenças crônicas no Brasil provavelmente não será ameno. Nem o dos que esperam por cirurgias eletivas.

Nota do Blog: Sexta feira passada eu postei “Covid-19: Prontos para Encarar a Quarta Onda?”, referente a onda formada pelos portadores de transtornos mentais que irão pressionar o sistema de saúde – e os próprios bolsos, no caso dos dispostos a pagar por atendimentos psicológicos e psiquiátricos – na pós-pandemia. O post que você acaba de ler é sobre a Segunda e Terceira Ondas, a cargo dos que tiveram que interromper tratamentos e intervenções programadas, e dos doentes crônicos que ficaram mais crônicos. A Primeira Onda, você quer saber? Não, acho que não precisa.

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