Dor Crônica - by dorcronica.blog.br

A mulher sente dor diferente do homem? Você nem imagina quanto.

A mulher sente dor diferente do homem? Você nem imagina quanto.

As diferenças entre homens e mulheres na percepção da dor são notórias e comprovadas pela pesquisa médica. No entanto, a medicina enquanto uma disciplina que envolve pesquisa, farmacologia, atendimento, academia etc., não leva isso devidamente em conta. Os que fizeram a sua história mormente foram homens e isso ficou impresso nas normas, valores, hierarquias… que até hoje a regem. O resultado, conforme evidências sobejamente levantadas no exterior, não é bom para a saúde física e mental das mulheres. No Brasil, porém, o tema é um não-tema, ou seja, não existe. Expondo-o talvez seja possível interessar alguém nele. É o que esse post se propõe a fazer.

“Dor crônica e diferenças de sexo: as mulheres aceitam e se mexem, enquanto os homens se sentem tristes”.

Graciela S. Rovner

Há um ano me ocorreu realizar uma pesquisa sobre o atendimento médico recebido pela mulher com dor crônica. Recém terminara de escrever um ebook sobre as diferenças na percepção da dor entre homens e mulheres e, quase sem querer, concluíra que o principal a comentar sobre essas diferenças era o quanto permaneciam ignoradas. Ignoradas pela pesquisa médica, pela farmacologia, pelo atendimento primário, pelos congressos médicos, pelas grades curriculares das faculdades de medicina e de outras disciplinas da saúde… Era como se as diferenças de gênero em relação à percepção da dor não existissem. Ou que não importassem.

A pesquisa feita para efeitos do ebook antes mencionado – bastante extensa, por sinal, são 250 páginas bem documentadas – apontava na direção oposta.

“Porque sexo e gênero afetam uma ampla gama de funções fisiológicas, eles têm um impacto em uma ampla gama de doenças, incluindo aquelas dos sistemas cardiovascular, pulmonar e autoimune, bem como doenças envolvendo gastroenterologia, hepatologia, nefrologia, endocrinologia, hematologia e neurologia; eles também influenciam a farmacocinética e a farmacodinâmica. Essas diferenças são refletidas na literatura científica: mais de 10.000 artigos tratam das diferenças de sexo e gênero na medicina clínica, epidemiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas, resultados e manejo”.

Oertelt-Prigione S, Regitz-Zagrosek V (eds) (2012) Sex and Gender Aspects in Clinical Medicine. London, UK: Springer

Enfim, nem fazem falta 10.000 artigos científicos para provar que diversos fatores contribuem a percepções de dor diferentes por parte de homens e mulheres, incluindo hormônios, genes e fatores cognitivos e emocionais. As diferenças são notórias, inquestionáveis. Julgue por si mesmo(a).

# Descrição
01 A chance de as mulheres desenvolverem dor crônica é 50% maior que a dos homens.
02 As mulheres experimentam mais sensitividade à dor que os homens.
03 Mulheres com dor crônica podem sofrer mais e durante mais tempo que os homens.
04 As diferenças quanto a sensitividade e percepção de dor entre homens e mulheres estão presentes apenas em três doenças: dor nas costas, fibromialgia e osteoartrite.
05 O sistema de dor não age igual em homens e mulheres.
06 As chances de uma mulher ser erroneamente diagnosticada e assim dispensada de um Pronto Socorro no meio de um ataque cardíaco são maiores que as de um homem.
07 Quatro quintos dos estudos científicos sobre dor abrangem exclusivamente homens ou camundongos.
08 As mulheres têm dor crônica em maior proporção que os homens, porém têm menos chance do que eles quanto a receber tratamento adequado.
09 As mulheres tendem a focar nos aspectos emocionais da experiência dolorosa, enquanto os homens tendem a ficar nos aspectos sensoriais. (Exemplo, um homem diz que dói; uma mulher, que dói porque não poderá cuidar bem do filho.)
10 A fibromialgia tem entre sete e nove vezes mais chances de ser diagnosticada em mulheres do que em homens.
11 Há variações marcantes na maneira como homens e mulheres respondem às drogas. (ex.: Homens e mulheres respondem diferente à anestesia e ao ibuprofeno).
12 As mulheres são duas vezes mais propensas a ter esclerose múltipla do que os homens.
13 As mulheres são duas a três vezes mais propensas a desenvolver artrite reumatoide do que os homens.
14 As mulheres são duas vezes mais propensas a ter síndrome da fadiga crônica do que os homens.
15 Como um todo, as doenças autoimunes atingem as mulheres quatro vezes mais frequentemente do que os homens.
16 Mulheres com infarto do miocárdio recebem menos diagnósticos baseados em diretrizes e tratamento menos invasivo do que os homens.
17 Mulheres com insuficiência cardíaca recebem menos procedimentos diagnósticos e tratamentos baseados em diretrizes e menos implantações e transplantes de coração.
18 Mulheres com fibrilação atrial recebem menos tratamento anticoagulante com varfarina. Mesmo assim, eles têm um risco maior de derrame do que os homens.
19 As mulheres obtêm diálise mais tarde do que os homens e passam por menos transplantes renais, tanto de doadores vivos quanto falecidos.
20 Há um atraso significativo no encaminhamento de pacientes do sexo feminino com artrite reumatoide para uma clínica de artrite precoce em comparação com os pacientes do sexo masculino.
21 Fibromialgia, osteoporose e depressão são consideradas doenças femininas. Ambas podem ser subdiagnosticadas em homens.

Diante de evidências comprovadas e contundentes como essas, cabe se perguntar:

  • Até que ponto a medicina – pesquisa, farmacologia, atendimento primário etc. – leva em conta diferenciadamente as peculiaridades femininas no contexto da dor – diagnóstico, tratamento, autogestão…?
  • Até que ponto as pacientes mulheres são prejudicadas na sua saúde física e mental pelo fato de a medicina, na prática, ainda se pautar por valores, preceitos e normas essencialmente masculinas?
Obs.: Se o tema lhe interessa, visite o ebook “O Paradoxo de EVA”, dois volumes, 250 páginas ilustradas, explicando por que as dores femininas são mais numerosas, frequentes e severas do que as do homem e até que ponto isso é devido, não só a fatores biológicos, mas a um viés de gênero prevalente na medicina.
Cadastre-se E receba nosso newsletter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

SAIBA TUDO SOBRE VACINAS COVID-19
CLIQUE AQUI
Preencha e acesse!
Coloque seu nome e e-mail para acessar.
Preencha e acesse!
Você pode baixar as imagens no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
ATENÇÃO!
Toda semana este blog publica dois artigos de cientistas e dois posts inéditos da nossa autoria sobre a dor e seu gerenciamento.
Quer se manter atualizado nesse tema? Não duvide.

Deixe aqui seu e-mail:
Preencha e acesse!
Você pode ver os vídeos no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas