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A fibromialgia pode ser uma condição autoimune e o que isso significa para o paciente

A fibromialgia pode ser uma condição autoimune

A fibromialgia é uma síndrome clínica reumática crônica, caracterizada por um quadro de dor musculoesquelética generalizada e sintomas como fadiga, distúrbios do sono, alterações cognitivas, cefaleias e depressão, causando grande sofrimento e incapacidade no paciente. A sua etiologia multifatorial ainda não foi totalmente esclarecida, prejudicando seriamente a elaboração de condutas terapêuticas realmente eficazes. Atualmente, a tese mais aceita pelos estudiosos da doença é a de que ela resulta de distúrbios no processamento da dor – desregulação das vias inibitórias descendentes e da via nociceptiva ascendente da dor – típicos de sensibilização central, uma disfunção tida como sendo mormente neuropática. Contudo, nos últimos anos uma nova hipótese se perfila no horizonte. Segundo ela, a fibromialgia teria origem autoimune. Eu já postei sobre isso há mais de um ano, descrevendo os resultados de uma pesquisa britânica-sueca. Agora é a vez de uma outra pesquisa, também britânica. “Si el río suena, es porque piedras trae”, reza o ditado español.

Fibromialgia: é uma doença autoimune?

A fibromialgia é uma condição que causa dor em todo o corpo. Persistentemente. Recorrentemente. É uma doença atualmente sem cura que, entre (várias) outras coisas, como causar fadiga, sono ruim e ansiedade, deixa a pessoa muito sensível a dor. A sua causa exata, porém, ainda é desconhecida.

Alguns classificam a fibromialgia como uma doença autoimune porque muitos dos sintomas se sobrepõem aos de doenças autoimunes.

O que é uma doença autoimune?

Em doenças autoimunes, o corpo começa a se atacar quando o sistema imunológico identifica erroneamente as células saudáveis como um vírus perigoso ou bactéria prejudicial. Em resposta, seu corpo produz autoanticorpos que destroem as células saudáveis. O ataque causa danos aos tecidos e frequentemente inflamação no local afetado.

Em muitos casos, sim, a fibromialgia pode ocorrer simultaneamente com doenças autoimunes, tais como:

  • Artrite reumatoide
  • Lúpus
  • Hipotireoidismo
  • Síndrome da perna inquieta
  • Doença de Lyme
  • Distúrbios da articulação temporomandibular (DTM)
  • Síndrome da dor miofascial
  • Depressão

Embora tenha características e sintomas semelhantes, a fibromialgia não é classificada como uma doença autoimune. Mas isso pode mudar nos próximos 2 ou 3 anos.

Até anteontem se pensou que a causa primária da fibromialgia fosse uma disfunção no processamento das entradas nociceptivas no nível central, embora ontem outros dados provenientes de diferentes laboratórios tivessem levantado a suspeita de ela ter origem periférica. Isso, porque a neuropatia de pequenas fibras (NFS) teria sido observada em grande número de pacientes submetidos à biópsia de pele. Hoje, todavia, uma terceira possibilidade sobre a origem da fibromialgia se perfila no horizonte científico.

A Hipótese Autoimune

Há 2 anos, um grupo de 23 cientistas de distintos países detectou um tipo de célula imune invadindo as células nervosas, descobrindo uma possível causa da fibromialgia em um modelo animal da doença.1 O estudo foi liderado pelo King’s College of London em colaboração com a Universidade de Liverpool e o Instituto Karolinska sueco. Ele mostra que muitos dos sintomas da fibromialgia são causados por anticorpos que aumentam a atividade dos nervos sensíveis à dor. Seguidamente uma breve descrição daquilo foi postada aqui.2

Basicamente, o estudo apontou que os mesmos anticorpos que causaram dor em camundongos foram encontrados em todos os 44 pacientes que vivem com fibromialgia, tanto no Reino Unido quanto na Suécia. Esses achados sugerem que a fibromialgia pode, de fato, ter origem autoimune e não neurológica. Ou não apenas neurológica.

As implicações não são triviais. Se isso for verdade, ajuda a explicar por que exercícios aeróbicos suaves e terapias medicamentosas, como antidepressivos, não funcionam para muitos pacientes; eles podem não estar chegando à raiz do problema. Drogas que se concentram no controle dos níveis de anticorpos, por outro lado, teoricamente podem ser muito mais eficazes.3

Estimando que seria útil dar maiores detalhes, eu preparei uma sequela que pode ser vista aqui: Fibromialgia, uma doença imunológica. Uma descoberta revolucionária.

A essa altura, contudo, a possibilidade de a fibromialgia ser uma doença imunológica parecia-me mais uma sugestão revolucionária do que uma descoberta científica capaz de inspirar tratamentos da doença numa direção nova (imunológica), diferente da atual (neuropática).

Contudo, muito recentemente um novo estudo, também britânico, surgiu para corroborar os achados do estudo do King´s College London. E aí as coisas começam a tomar corpo.

Um passo avante

Num estudo recém publicado pela Academia de Ciências dos Estados Unidos (PNAS), “Neutrophils infiltrate sensory ganglia and mediate chronic widespread pain in fibromyalgia”, pesquisadores (S. Caxaria, A.M. Fuller e S.Sikandar) do London School of Medicine and Dentistry, UK., levaram a discussão referente a origem imunológica, e não exclusivamente neuropática, da fibromialgia, a um patamar mais elevado.

Eles demonstraram o papel pronociceptivo dos neutrófilos na fibromialgia.

“A fibromialgia pode ter origem imunológica e não neurológica.”

A associação causal entre atividades nociceptivas subjacentes à dor crônica associada à fibromialgia e neutrófilos foi investigada usando camundongos hiperalgésicos e transferência de células adotivas de animais murinos e indivíduos com dor crônica para animais murinos virgens.4

Por que os neutrófilos?

Os neutrófilos parecem ser fatores contribuintes significativos para a dor crônica patológica periférica na fibromialgia. Os neutrófilos, derivados de camundongos com dor persistente por mais de duas semanas ou de pacientes com fibromialgia sofrendo de dor por vários anos, podem sofrer alterações fenotípicas que permitem a sensibilização sustentada dos neurônios sensoriais periféricos.

Para testar a hipótese de que os neutrófilos circulantes em camundongos preparados têm a capacidade de sensibilizar os neurônios sensoriais periféricos, os pesquisadores mediram se os neutrófilos estavam interagindo diretamente com somata (a extremidade bulbosa de um neurônio, contendo o núcleo celular) dentro dos gânglios da raiz dorsal.

Eles observaram infiltração significativa de novo de neutrófilos nas células nervosas de camundongos preparados em comparação com animais controle e ingênuos. Os pesquisadores concluíram que os dados mostraram que os neutrófilos são fundamentais para o desenvolvimento da dor crônica generalizada por meio da infiltração dos gânglios sensoriais periféricos.

“Ainda não entendemos o que muda o comportamento dos neutrófilos, [para] poder ativar a atividade relacionada à dor das células nervosas”.

– Shafaq Sikander, PhD, professor e líder de grupo do laboratório de Neurofisiologia Sensorial, em Londres.

Os pesquisadores estão analisando ainda mais o perfil desses neutrófilos para entender melhor quais moléculas produzidas por neutrófilos em pacientes com fibromialgia são diferentes das pessoas sem dor. Esses dados podem fornecer a eles um alvo terapêutico contra a disfunção patológica de neutrófilos que pode ser usado para produzir uma nova intervenção analgésica para dor crônica generalizada em pacientes com fibromialgia.

E daí?

“Os pacientes recebem rotineiramente medicamentos analgésicos que agem no processamento da dor no sistema nervoso central, mas não visam especificamente os mecanismos que conduzem à dor na fibromialgia”, disse Sikander. “Nossas descobertas fornecem a base para o desenvolvimento de uma abordagem de medicina de precisão para o tratamento da dor crônica generalizada na fibromialgia.”5

Em suma, o recente estudo sugere que os neutrófilos, particularmente aqueles que interagem com os neurônios sensoriais, podem ser direcionados para desenvolver terapias de controle da dor para pacientes com fibromialgia.6

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