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A efetividade das vacinas diminui em 6 meses. E daí?

A efetividade das vacinas diminui em 6 meses

Na medida que os meses passam e o número de vacinados aumenta, cresce também a preocupação de mais gente em relação ao tempo de imunidade oferecido pelas vacinas anti-Covid-19. Ou mais precisamente, o tempo que cada uma dessas vacinas oferece.

Conforme veremos em seguida, um artigo do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) americano recém publicado pelo site The Scientist, é o quarto em pouco tempo que chega numa mesma conclusão: a efetividade das vacinas anti-Covid cai significativamente. Por outro lado, sim, o artigo também conclui que essas vacinas protegem bastante contra formas graves da doença e, também, da morte. (Suponho que você já está cansado de ouvir infectologistas, epidemiologistas e comentaristas da TV paga repetir isso). Contudo, a partir desse ponto eu convido você a se perguntar o seguinte: até que ponto isso é um alívio?

“A indolência é doce e suas consequências amargas”.

Voltaire

A imunidade dada pela vacina anti-Covid-19 parece estar diminuindo, de acordo com uma publicação no dia 24 de agosto no Relatório Semanal do Centro para Controle e Prevenção de Doenças de Morbidez e Mortalidade.

O estudo acompanhou mais de 4.000 profissionais de saúde e outros profissionais essenciais da linha de frente em seis estados por 35 semanas, testando os participantes do estudo semanalmente para infecção por SARS-CoV-2.

A maioria dos participantes recebeu uma das três vacinas em uso nos Estados Unidos – Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson – embora a maioria tenha recebido a vacina Pfizer. O estudo começou a coletar dados em 14 de dezembro de 2020 e, no início de abril de 2021, mostrou que as vacinas eram aproximadamente 90% eficazes na prevenção da infecção por SARS-CoV-2 sintomática e assintomática.

Mas isso é passado. O relatório recém publicado rastreou a coorte até 14 de agosto – incorporando mais de quatro meses de dados que incluem um período de tempo em que a variante Delta varreu o país – e descobriu que, no geral, a eficácia da vacina caiu para 66% nas semanas em que a variante representou pelo menos 50% dos vírus SARS-CoV-2 sequenciados.

O que o estudo não pode responder é por que a eficácia caiu nas semanas dominadas pela Delta.

De qualquer maneira, foi o suficiente para o FDA americano recomendar reforços vacinais após 20 de setembro. A recomendação é baseada na veloz disseminação da Delta e em três estudos recentes do CDC apontando que a proteção das três vacinas americanas contra a infecção está diminuindo.

Em um desses estudos, dados do estado de Nova York (maio 3–julho 25), mostraram que a efetividade das vacinas – Pfizer e Moderna, 90% do total – caiu de 91,7 para 79,8% contra a infecção, embora ela continuasse a proteger contra a hospitalização.

“O que estávamos tentando descobrir é: isso é Delta ou está diminuindo a eficácia?” pergunta a epidemiologista do CDC e principal autora do estudo, Ashley Fowlkes ao The New York Times.

“Nossa conclusão é que realmente não podemos dizer.”

Os especialistas dizem que a redução na proteção pode ser devido a uma série de fatores, incluindo a agora amplamente difundida Delta ser capaz de causar mais infecções do que as variantes anteriores, ou a possibilidade de que a imunidade esteja diminuindo à medida que mais tempo passa desde os participantes receberam suas vacinas. Last but not least, o relaxamento das recomendações de uso de máscaras e distanciamento físico também é um fator.

E DAÍ?

Até 30/06, do total de imunizantes distribuídos aos estados brasileiros, segundo o Ministério da Saúde, a maior parte foi da Fiocruz/AstraZeneca; seguidas, nesta ordem, pela Coronavac/Sinovac/Butantan, Pfizer/BioNTech e Janssen/Johnson & Johnson.

Daí que os dados anteriores, preocupantes que eles são, foram obtidos com as duas vacinas americanas predominantes, Pfizer/BioNTech e Moderna. As duas têm mostrado ser planetariamente as mais efetivas quanto a evitar transmissão, hospitalização e óbitos – especialmente contra a variante Delta. O que não se pode afirmar com o mesmo entusiasmo em relação às outras: AstraZeneca, Coronavac e Janssen.

Vejamos:

  • Uma análise da Public Health England (em um pre-print que ainda não foi revisado por pares) mostrou a Pfizer/BioNTech sendo 88% eficaz contra doenças sintomáticas e 96% eficaz contra hospitalização de Delta – em média 94% de eficácia após a primeira dose e 96% após a segunda dose, mais precisamente.
  • A Moderna também relatou estudos (ainda não revisados por pares) que mostraram que sua vacina é eficaz contra a Delta e várias outras mutações (os pesquisadores observaram apenas uma “redução modesta nos títulos neutralizantes” contra a Delta quando comparada à sua eficácia contra o vírus original).
  • A Janssen sugeriu inicialmente que sua vacina podia ser menos eficaz contra a variante. Mas em agosto, a empresa anunciou que uma dose de reforço aos seis meses teve um aumento rápido e robusto de nove vezes nos anticorpos de ligação ao pico em voluntários em comparação com 28 dias após a primeira dose.
  • Segundo a Fiocruz, a vacina Oxford-AstraZeneca (que não é uma vacina de mRNA) foi 60% eficaz contra sintomas da doença e 93% eficaz contra hospitalização. Eu suponho que esses dados são de um estudo realizado pela Public Health England, que também mostrou que essa vacina atingiu 71% de eficácia após a primeira dose e 92%, com as duas doses, contra a hospitalização devido à variante Delta. Foram analisados 14.019 casos da variante Delta que chegaram às salas de emergência de hospitais ingleses entre 12 de abril e 4 de junho deste ano.
  • Quanto a Coronavac, um estudo recente“Effectiveness of Inactivated COVID-19 Vaccines Against Covid-19 Pneumonia and Severe Illness Caused by the B.1.617.2 (Delta) Variant: Evidence from an Outbreak in Guangdong, China” – abrangeu quase 11 mil chineses que eram contatos próximos de casos de Covid-19 confirmados por laboratório e revelou uma efetividade de 69,5% (IC 95% 42,8–96,3), dessa vacina nos vacinados em relação aos não vacinados. A vacinação completa (duas doses) foi 100% eficaz contra doenças graves.

“Nossa conclusão (sobre se a imunidade fornecida pelas vacinas diminui per se ou por conta da variante Delta) é que realmente não podemos dizer.”

A interpretação é a de que a vacinação completa com vacinas inativadas é eficaz contra a pneumonia, doenças graves e críticas causadas pela variante B.1.617.2 – a variante Delta.

Contudo, convém alertar que o estudo em pauta foi publicado numa plataforma subsidiária da The Lancet e ainda não foi revisado por pares.12

Conclusão: esses achados mostram níveis altos de proteção contra hospitalização devido à variante Delta com duas doses de qualquer uma das vacinas, especialmente Pfizer e Moderna.

Mas não se anime: vacina é uma coisa, a vacinação propriamente dita, outra. Aquilo não livra a sociedade, nem você, de continuar na m… dessa pandemia. Curioso, mas essa obviedade hoje se oculta, difusa, no meio de uma névoa de complacência generalizada. Todo mundo sabe que a variante Delta é duplamente mais eficiente em transmitir o vírus, se comparada à variante inglesa, a B.1.1.7. Não é por falta de mérito que ela ora predomina no RJ e esteja prestes a sê-lo em São Paulo e outras capitais (ex.: Curitiba). Contudo, ninguém protesta porque as medidas sanitárias estejam sendo flexibilizadas no meio disso tudo. Ou porque a vacinação avança aos trancos e no meio de patacoadas (a mais recente, esses 12 milhões de doses da Coronavac interditadas pela ANVISA dos quais umas quantas já foram aplicados).

Ah, justificativas que não faltam – o tédio, a economia, o desemprego, a primavera… eu sei – mas precisava exagerar na displicência?

Medidas de contenção anti-Covid-19 flexibilizadas e uma campanha de vacinação vagarosa e intermitente – e por demais tímida no que se refere à terceira dose destinada a idosos – levam diretamente a duas conclusões inapeláveis:

  • mais gente irá sofrer desnecessariamente com a Covid-19, em casa ou no hospital, nos próximos meses, e
  • quanto mais gente não vacinada continuar se expondo ao vírus, mais demorado há de ficar o controle definitivo da pandemia.

Precisava tanta displicência?

Baseado em dados do artigo “Study Reveals Declining COVID-19 Vaccine Efficacy Against Infection”, por Annie Melchor, publicado no dia 25/08/21 no site the-scientist.com.

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