Dor Crônica - by dorcronica.blog.br

A dor crônica e uma palavra de esperança

A dor crônica e uma palavra de esperança

O meu mentor na época em que fiz doutorado na Cornell University, era uma pessoa muito especial. Paraplégico, um livro da sua autoria tinha sido um best seller em países de língua inglesa – coisa rara vindo de um candidato ao Prêmio Nobel, que ele fora, um par de anos antes de conhecë-lo. Convidado constantemente a ditar conferências para universidades e corporações, W. F. Whyte aceitava ir a poucas. E sempre que eu lhe perguntava como tinha sido, ele respondia: “Who knows?”. (Algo assim como “Sei lá?”). Muito tímido, ele detestava se expor à avaliação de terceiros. Demorei, mas acabei entendendo isso. Durante décadas eu também tive que mostrar o resultado do meu trabalho a diferentes audiências e, embora sobrevivi, hoje confesso que, vira e mexe, não gostei. A razão? Uma só. A apreciação da plateia, expressa do jeito que for, nunca está à altura do valor que você dá a seu trabalho. Seja por narcisismo (obviamente), ou porque apenas você sabe o tanto de estudo, tempo e sacrifício pessoal (e familiar) que o preparo de uma palestra decente consome, o fato é que depois raramente se sente que tudo isso valeu a pena. Mas há exceções e eu quero compartilhar uma delas, muito recente, com você. A protagonista compareceu a um evento criado por mim para ajudar profissionais da saúde a educar pacientes com dor crônica a conter essa difícil condição de saúde. Eis o que ela relatou sobre a sua experiência.

“Nunca houve uma noite ou um problema que pudesse derrotar o nascer do sol ou a esperança.”

– Bernard Williams

“Eu me chamo Roseni Di Grazia Zanaga, tenho 80 anos, sou viúva, mãe de uma filha e dois filhos, avó de 10 netos e uma dor crônica na coluna torácica a mais de 27 anos.

A primeira vez que falei para um médico sobre a minha dor foi em 1997. Ele me examinou, disse que eram dores musculares e me receitou um analgésico (Tandrilax).

Durante dois ou três anos, ocasionalmente eu tomava um analgésico, sentava-me em uma posição que me trazia alívio (para horror das fisioterapeutas) ou esfregava uma toalha de rosto nas costas e no pescoço que fazia a dor passar. Ações que aliviavam temporariamente a minha dor.

Depois desse tempo, como as dores pioraram, resolvi começar a tratar seriamente a minha coluna.

Aí começou a minha peregrinação por consultórios médicos das mais diversas especialidades, incontáveis terapias manuais e todo tipo de medicamento: anti-inflamatórios, analgésicos, anticonvulsivantes, antidepressivos, opiáceos e por aí vai.

As dores somente pioraram e… e lá se foram 24 anos.

Hoje, já não tenho vida social, afastei-me dos amigos, perco as formaturas e aniversários dos netos e convivo diariamente com todos os tormentos que vem junto com uma dor crônica, tristeza, raiva, desânimo, desamparo, angústia e etc.

Enfim, eu tornei-me refém da dor!

Sempre com dor, comecei a procurar na internet artigos sobre dor crônica e conheci o “Dor Crônica – O Blog”, do professor Júlio Troncoso.

Esse blog oferece um curso chamado “Retreinando o cérebro para aliviar a dor crônica”.

Como esse blog é muito bom e muito sério, resolvi adquirir o curso e com ele veio um convite para participar de uma live sobre ele.

Foram 3 sessões, todas baseadas em vídeos bem didáticos, a cargo do Prof. Julio. A condução de cada sessão, com bastante participação do grupo formado por médicas, fisioterapeutas, psicólogas e dentistas – mais eu e uma outra paciente – ficou a cargo da doutora, cirurgiã dentista, Luci Mara França.

Na primeira live, assim que ouvi as palavras iniciais, vi encantada que retratavam todas as situações, sentimentos e aflições que são comuns em quem, como eu, tem dias “infernais” com dores crônicas.

Nos três dias da live aprendi um roteiro prático de como aliviar a dor crônica.

Não são ensinamentos baseados em “achismos”, mas sim uma abordagem científica que fala de neurociência, neuroplasticidade cerebral, vias neurais, terapias mente e corpo e outras coisas relacionadas ao controle da dor crônica que me eram desconhecidas apesar de, como eu relatei antes, ter consultado inúmeros médicos nesses anos todos tentando aliviar a minha dor.

Esse roteiro prático, que foi muito bem explicado, consiste em cinco passos:

  1. Acalmar mente e corpo.
  2. Identificar pensamentos tóxicos que só aumentam a dor.
  3. Interromper esses pensamentos tóxicos – os prioritários.
  4. Projetar novos comportamentos, exigidos pela nova maneira de pensar a dor.
  5. Repetir, repetir e repetir esse protocolo.

Bem, e agora o que vou fazer com tantas informações?

Da vivência ficou claro para mim que a cura para a dor crônica é muito difícil e não deve ser tida como um objetivo. Não é realista. Porém, livrar-se de pensamentos tóxicos e pensar na dor de maneira mais construtiva é saudável, ajuda a ter uma qualidade de vida melhor. E não é isso que eu desejo?

Sei que não será fácil, são tantos anos de dor, mas acho que vale a pena tentar; identificar os pensamentos tóxicos e substitui-los por outros positivos e assim criar, no meu cérebro, que ainda é jovem, novas vias neurais sem dor.

Agora que eu já entendi o que devo fazer, o importante é repetir, repetir e repetir…!!”

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