A conexão entre sobrepeso, dor crônica e enxaqueca

A conexão entre sobrepeso, dor crônica e enxaqueca
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Estudos têm mostrado que a obesidade e a dor estão interligadas e influenciam uma à outra. E que ambas influenciam a enxaqueca. Este post examina primeiro essas relações e depois aponta três fatores que, ao aliviar a dor crônica, podem levar à diminuição do sobrepeso como um benefício colateral – e ao alívio da enxaqueca, como consequência.

“A enxaqueca é uma doença estranha e mutável. Afeta a todos nós de maneira diferente, e cada ataque é um pouco diferente do anterior. Isso significa que ninguém pode entender sua vida, sintomas ou doença como você. Isso pode ser incrivelmente fortalecedor: você é o especialista.”

Sarah Hackley

Já sabemos há algum tempo que a obesidade tem ligações com doenças crônicas evitáveis, como diabetes, doenças cardíacas e pressão alta. Pesquisas mostram que também há conexões entre obesidade e diferentes tipos de dor crônica. Um dos mais prevalentes, especialmente entre as mulheres, é a enxaqueca.

A enxaqueca é um tipo de distúrbio de cefaleia primária que pode causar dores intensas e outros sintomas. Pessoas com enxaqueca podem apresentar sintomas recorrentes que os médicos chamam de episódios ou ataques.

As dores de cabeça são apenas um sintoma das enxaquecas e podem variar em intensidade. A enxaqueca pode causar dores de cabeça latejantes e intensas que duram de algumas horas a vários dias.

A enxaqueca geralmente afeta um lado da cabeça, mas algumas pessoas sentem dor nos dois lados.

Um episódio de enxaqueca pode ocorrer em quatro fases distintas, embora nem todos vivenciem todas as fases.

Como o peso e a dor crônica estão relacionados?

O National Institutes of Health define a obesidade como tendo um índice de massa corporal acima de 30. E de acordo com a Clínica Mayo, a obesidade é uma causa da síndrome metabólica, um grupo de condições associadas que incluem diabetes, doenças cardíacas, derrame e outras condições crônicas. Estudos também mostraram que a obesidade e a dor estão interligadas e influenciam uma à outra.

O peso extra também exerce pressão e estresse nas articulações, reduz a flexibilidade, causa inflamação, aumenta a sensibilidade à dor. Fora isso, ele está associado a sono insatisfatório e afeta a qualidade de vida, provocando estresse. Sono ruim e estresse crônico, sabe-se, podem causar distúrbios mentais como ansiedade e depressão. Estes, por sua vez, alimentam a condição dolorosa.

A relação entre sobrepeso e enxaqueca

A relação exata entre peso excessivo e enxaqueca é desconhecida, mas estudos mostram que existem conexões ambientais, genéticas e de estilo de vida.

Vejamos:

  • De acordo com a American Migraine Foundation, a obesidade aumenta o risco de enxaqueca em 50%, e o risco é muito maior com um IMC acima de 40.
  • Uma revisão de meta-análise de 2017, feita por Gelaye da Escola de Saúde Pública Harvard TH Chan, descobriu que a obesidade (IMC> 30) aumenta o risco de enxaqueca em 27%. Os cientistas acreditam que hormônios, certas proteínas conhecidas como citocinas e inflamação podem desempenhar um papel.
  • Outra revisão de 2017 concluiu que o risco aumentado de enxaqueca é normalmente encontrado em mulheres obesas em idade reprodutiva e não parece se aplicar a mulheres obesas com idade superior a 55 anos.
  • A obesidade potencialmente precipita a transformação da enxaqueca episódica (menos de 15 crises de enxaquecas por mês) para a enxaqueca crônica (15 ou mais crises por mês), o que pode impactar ainda mais negativamente na qualidade de vida e no funcionamento diário.


A ligação entre enxaqueca e obesidade pode variar para cada pessoa. É possível também que essas duas condições compartilhem alguns mecanismos comuns. Por exemplo, ambas estarem associadas a um aumento do nível de inflamação em seu corpo.

Embora essas associações sejam complexas, os estudos sugerem que elas existem, então a perda de peso pode ser uma boa maneira de melhorar seus ataques de enxaqueca, tanto em número quanto em gravidade.

Como a perda de peso pode reduzir a enxaqueca

Uma revisão de 10 estudos anteriores, liderados por Di Vincenzo e colegas da Universidade de Pádua, na Itália, examinou o efeito da perda de peso em quatro elementos da dor de cabeça: duração, frequência, gravidade e deficiência.  A pesquisa mostrou que a perda de peso melhorou todos os quatro desfechos, com a maior melhora na severidade da dor de cabeça.

Houve pouca diferença nos resultados entre os grupos de idade (adultos versus crianças) ou perda de peso da cirurgia versus mudança comportamental (ou seja, mudanças no estilo de vida). A melhora não refletiu, entretanto, diretamente a quantidade de perda de peso ou o peso inicial. Em outras palavras, a perda de peso melhorou os sintomas de dor, independentemente da quantidade de perda ou de como a perda aconteceu.

Os pesquisadores sugeriram que isso pode ser devido a uma queda nas citocinas pró-inflamatórias, que desempenham um grande papel na dor. Precisamos de mais dados para aprender os efeitos da perda de peso nas dores de cabeça, uma vez que a revisão analisou apenas um pequeno número de estudos. Mas a notícia positiva é que a perda de peso ajuda a reduzir a inflamação – resultando em menos dor.

Melhorando a dor crônica por meio de escolhas de estilo de vida

Nutrição, atividade física e estilo de vida são componentes da função geral da saúde. “Fazer o certo” em relação a elas pode levar à perda de peso como um benefício colateral. O alívio da enxaqueca pode advir como consequência.

Nutrição

Sua dieta desempenha um papel importante em como você se sente e como controla seu peso. Estudos mostram que uma dieta anti-inflamatória rica em ácidos graxos ômega-3, como óleo de peixe, é benéfica. Por exemplo, seguir a dieta mediterrânea, que inclui vegetais verdes, azeite, carnes magras e peixes, ajuda a reduzir a inflamação e até mesmo reverte os danos causados ​​por dores crônicas como a artrite reumatoide.

Esteja atento ao que e quanto você come para melhorar gradualmente seus hábitos. Explore novos temperos, receitas e alimentos para mudar sua rotina.

Evite alimentos ricos em glúten, que aumentam a inflamação e a dor neuropática. Reduza a ingestão de alimentos processados ​​com alto teor de carboidratos ou fast food. A nutrição adequada pode reduzir o peso e melhorar os resultados de saúde para dores crônicas e outras doenças relacionadas à síndrome metabólica, como doenças cardíacas e diabetes. (Mais sobre saúde e dor intestinal.)

Exercício

Existem vários benefícios comprovados para movimento, recreação ao ar livre e atividade física para aqueles que vivem com síndromes de dor crônica. Junto com uma nutrição saudável, os exercícios podem ajudar a reduzir a dor, aumentar a flexibilidade, o equilíbrio e a força. Estudos mostram que as atividades ao ar livre também aumentam o nível de Orexin A – esse neuropeptídeo ajuda a regular muitas funções cerebrais e corporais, como sono e apetite.15

atividade física regular como caminhada, atividades aquáticas, exercícios aeróbicos e de força como levantamento de peso leve, ioga ou Pilates, por pelo menos 30 minutos, 5 dias por semana, pode reduzir a inflamação e o estresse e melhorar a imunidade e a dor associada.

Sono

A duração e a qualidade adequadas do sono são essenciais não apenas para o bem-estar físico, mas também emocional, e o sono adequado pode ajudar na perda de peso.

Fora as recomendações de praxe para cuidar do sono, como evitar comer ou beber álcool perto da hora de dormir, o uso crescente de dispositivos inteligentes (celulares, tablets, etc.) requer atenção especial. De acordo com um estudo de Taheri, do Howard Hughes Medical Institute, da Universidade de Stanford, o sono ruim aumenta o IMC e altera os níveis dos hormônios grelina e leptina, que controlam o apetite. A falta de sono de boa qualidade também pode levar à resistência à insulina, causando ganho de peso. 

Resumo da Ópera

Obesidade e dor crônica são parceiros e se retroalimentam. Isso pode ser ruim, se você nada fizer. E bom, se decidir melhorar os hábitos alimentares, aumentar a atividade física e controlar a saúde mental (ex.: o estresse), tudo dentro de um plano bem pensado, progressivo e com metas claras e viáveis. Isso pode resultar na perda de peso, o que ajudará a melhorar a dor.  

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