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A cannabis medicinal e a fibromialgia: o que (hoje) a ciência diz

A cannabis medicinal e a fibromialgia

A cannabis medicinal entrou na medicina convencional e veio para ficar. Impulsionado por grupos de interesse (pacientes, produtores e influencers), a mídia e principalmente a anedota, pacientes e médicos em todo o mundo estão explorando a maconha para uma vasta gama de condições médicas, incluindo doenças e dores crônicas. Embora haja uma riqueza de ciência básica e estudos pré-clínicos demonstrando efeitos de canabinoides em sistemas neurobiológicos (ex.: dor e inflamação), as reais possibilidades clínicas da cannabis medicinal ainda são limitadas. Este artigo justifica essa conclusão com base na literatura científica publicada sobre a cannabis medicinal, na forma de artigos, revisões de artigos e revisões de revisões de artigos.

Autor: Julio Troncoso, Ph.D.

“A cannabis medicinal é considerada um tratamento seguro e eficaz para a dor da fibromialgia.”, decretou a matéria surgida do Google após eu digitar “medical cannabis fibromyalgia”.

Aquilo soou estranhou. Afinal, tendo publicado ebooks sobre os dois temas, fibromialgia e cannabis medicinal, alguma coisa entendo de ambos. E nunca tinha visto o segundo ser associado à cura do primeiro com tanta assertividade. Prometer tratamento “seguro e eficaz” para uma doença crônica que sempre careceu disso, é audacioso. Ou temerário.

Resolvi, então, pesquisar aquilo. Com obsessão canina, li vários artigos individuais, e também revisões de artigos, sobre estudos de campo centrados no efeito do tratamento com cannabis medicinal em pacientes com fibromialgia. Tomei cuidado de que todos eles fossem recentes, uma vez que o conhecimento sobre os dois temas ainda é precário e evolui velozmente. A cautela também se justifica uma vez que amiúde o leitor, sem saber, fica extasiado lendo entusiastas conclusões pró-cannabis medicinal em artigos patrocinados por – você adivinhou! – empresas que produzem e/ou comercializam a substância.

Enfim, vira e mexe, a afirmação não foi confirmada. A cannabis medicinal não provoca efeitos colaterais severos, mas atualmente carece de evidências contundentes indicando que, em geral, “funciona” como terapia para quem tem dor crônica – dito assim, no geral. Ou fibromialgia, para sermos mais precisos. Ela “funciona” sim, mas até certo ponto e não em todos os casos.

O meu principal reparo, todavia, diz respeito a baixa qualidade do material publicado. A maioria das constatações favoráveis provém de estudos abrangendo grupos pequenos de pacientes, realizados em diferentes países e universidades, e com base em diferentes metodologias de pesquisa. Artigos meramente observacionais, não revisados por pares e publicados em fontes literárias de segunda ou terceira linha são a praxe.

A afirmação antes mencionada, especificamente, aparece numa revisão de apenas 5 artigos. Fora isso, nas Conclusões e Recomendações, ela é (surpreendentemente) contestada.

“Embora os cinco estudos revisados ​​​​criticamente pareçam sugerir que a cannabis medicinal é uma opção de tratamento segura e eficaz para pacientes com fibromialgia, as sérias limitações metodológicas desta pesquisa impedem tirar conclusões fortes sobre a eficácia. Em vez disso, aconselhamos que o corpo de literatura revisado fornece muito pouca evidência em apoio à cannabis medicinal como uma modalidade de tratamento eficaz para o controle da dor crônica em pacientes com fibromialgia. Concluímos que nenhum estudo até o momento estabeleceu uma relação convincente entre qualquer forma de tratamento com cannabis medicinal e a melhora dos sintomas em pacientes com fibromialgia que sofrem de dor crônica. Além disso, os estudos revisados ​​neste artigo indicam uma alta prevalência de efeitos colaterais adversos associados ao uso de cannabis em pacientes com fibromialgia.”

O até aqui apresentado é uma amostra do que hoje se afirma sobre a contribuição da cannabis medicinal ao alívio da fibromialgia: pode ser e talvez seja, mas faltam evidências de boa qualidade para sustentar isso. O que não quer dizer que faltem testemunhos de histórias bem sucedidas, próprias ou de terceiros. Esses sobram.

Mas vamos por partes. Vejamos sucintamente o que eu averiguei. Primeiro, um voo rasante por artigos individuais. As revisões vêm depois.

ARTIGOS


Cannabis use in patients with fibromyalgia: effect on symptoms relief and health-related quality of life

Ler o artigo original

Jimena Fiz, Marta Durán, Dolors Capellà, Jordi Carbonell e Magí Farré. PLoS One. 2011 Apr 21;6(4):e18440. doi: 10.1371/journal.pone.0018440. PMID: 21533029. PMCID: PMC3080871

Pesquisadores catalães pesquisaram padrões de uso de cannabis e benefícios associados a qualidade de vida em 28 pacientes com fibromialgia que eram consumidores desta droga com 28 indivíduos com fibromialgia que não eram usuários de cannabis. Os usuários de cannabis se diferenciaram positivamente em termos de dor e rigidez, aumento do relaxamento e aumento da sonolência, sensação de bem-estar e saúde mental. O tratamento com cannabis medicinal teve um efeito favorável significante nos pacientes com fibromialgia, em alguns sintomas e com poucos efeitos adversos.


Ingestion of a THC-Rich Cannabis Oil in People with Fibromyalgia: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Clinical Trial

Ler o artigo original

Carolina Chaves, Paulo Cesar T Bittencourt e Andreia Pelegrini. Pain. 2020 Oct 1;21(10):2212-2218. doi: 10.1093/pm/pnaa303. PMID: 33118602 PMCID: PMC7593796.

Em 2020, no Brasil, Chaves et al. também exploraram o benefício de um óleo de cannabis rico em THC nos sintomas e Qualidade de Vida da fibromialgia em 17 mulheres (8 no grupo intervenção e 9 no grupo placebo) com baixo perfil socioeconômico.

A dose foi titulada de acordo com os sintomas durante um período de 8 semanas. O grupo de cannabis mostrou melhora significativa nos itens “sentir-se bem”, “dor”, “fazer trabalho” e “fadiga” em comparação com o grupo placebo no final do período.


Adding medical cannabis to standard analgesic treatment for fibromyalgia: a prospective observational study

Ler o artigo original

Giorgi V, Bongiovanni S, Atzeni F, Marotto D, Salaffi F e Sarzi-Puttini. P.Clin Exp Rheumatol. 2020 Jan-Feb;38 Suppl 123(1):53-59. Epub 2020 Feb 5.PMID: 32116208.

Um estudo italiano abrangendo uma centena de pacientes investigou se a cannabis medicinal poderia melhorar o desempenho do tratamento analgésico padrão.

O estudo envolveu 102 pacientes consecutivos com fibromialgia com escores VAS ≥4, apesar do tratamento analgésico padrão.

Constatou-se uma melhora significativa medida pelo Questionário de Impacto da Fibromialgia (FIQR) em 44% dos pacientes. A metade deles apresentou melhora moderada nas escalas de ansiedade e depressão. Como adjuvante, então, a cannabis medicinal em conjunto com o TCM ofereceria uma possível vantagem clínica em pacientes com fibromialgia, especialmente naqueles com disfunções do sono.

Como a taxa de retenção foi alta (>60%) foi também deduzida uma melhora da qualidade de vida dos pacientes.


Safety and Efficacy of Medical Cannabis in Fibromyalgia

Ler o artigo original

Iftach Sagy, Lihi Bar-Lev Schleider, Mahmoud Abu-Shakra e Victor Novack. J Clin Med. 2019 Jun; 8(6): 807. Published online 2019 Jun 5. doi: 10.3390/jcm8060807

Pesquisadores israelenses descobriram que numa amostra de 367 pacientes com fibromialgia, 82% do sexo feminino, o uso de cannabis medicianl por 6 meses intensidade da dor (escala 0-10) de uma mediana de 9,0 no início do estudo para 5,0, e 194 pacientes (81,1%) obtiveram resposta ao tratamento. Os efeitos adversos mais comuns foram leves, afetaram menos de 7% da amostra e incluíram tontura, boca seca e sintomas gastrointestinais.


An experimental randomized study on the analgesic effects of pharmaceutical-grade cannabis in chronic pain patients with fibromyalgia

Ler o artigo original

Tine van de Donk, Marieke Niesters, Mikael A Kowal, Erik Olofsen, Albert Dahan e Monique van Velzen. Pain. 2019 Apr;160(4):860-869. doi: 10.1097/. PMID: 30585986 PMCID: PMC6430597.

Em 2019, um recente estudo cruzado randomizado controlado por placebo realizado em 20 pacientes com fibromialgia, e usando quatro variedades diferentes de cannabis de grau farmacêutico inalado, descobriu que o tratamento ativo não pareceu afetar os escores de dor.


Effect of adding medical cannabis to analgesic treatment in patients with low back pain related to fibromyalgia: an observational cross-over single centre study

Ler o artigo original

Mustafa Yassin, Amir Oron e Dror Robinson. Clin Exp Rheumatol: Jan-Feb 2019;37 Suppl 116(1):13-20. PMID: 30418116

Um outro estudo israelita, comparou as reações de 31 pacientes com dor lombar/fibromialgia durante 3 meses recebendo terapia analgésica padronizada, com as reações deles após serem tratados com cannabis medicinal nos 6 meses seguintes.

A dor lombar ocorre em muitos pacientes com fibromialgia. O estudo visou avaliar a possível melhora da dor e da função associada à terapia com cannabis medicinal neste cenário. 31 pacientes foram envolvidos em um estudo observacional cruzado. Os pacientes foram triados, tratados com 3 meses de terapia analgésica padronizada (SAT): 5 mg de cloridrato de oxicodona equivalente a 4,5 mg de oxicodona e 2,5 mg de cloridrato de naloxona duas vezes ao dia e duloxetina 30 mg uma vez ao dia.

O tratamento com a cannabis medicinal permitiu uma melhora significativamente maior em 3 meses após o início e a melhora foi mantida durante 6 meses. Portanto, o estudo demonstrou uma vantagem do tratamento com cannabis medicinal em pacientes com fibromialgia e lombalgia em comparação com o SAT.


Medical Cannabis for the Treatment of Fibromyalgia

Ler o artigo original

Habib, George MD, MPH e Artul, Suheil MD. JCR: Journal of Clinical Rheumatology: August 2018 – Volume 24 – Issue 5 – p 255-258. doi: 10.1097/RHU.0000000000000702.

O estudo mais pop, por ainda ser o mais comentado pela mídia, usou dados obtidos dos registros de 2 hospitais em Israel (Hospital Laniado e Hospital Nazareth) de 26 pacientes com diagnóstico de fibromialgia que foram tratados com cannabis medicinal (19 do sexo feminino (73%). A dosagem média foi de 26 ± 8,3 g por mês, e o tempo médio de uso foi de 10,4 ± 11,3 meses. Todos os pacientes relataram uma melhora significativa, e 13 pacientes (50%) pararam de tomar qualquer outro medicamento para fibromialgia. Oito pacientes (30%) experimentaram efeitos adversos muito leves.


The effects of nabilone on sleep in fibromyalgia: results of a randomized controlled trial

Ler o artigo original

Mark A Ware, Mary-Ann Fitzcharles, Lawrence Joseph e Yoram Shir. Anesth Analg. 2010 Feb 1;110(2):604-10. doi: 10.1213/ANE.0b013e3181c76f70. Epub 2009 Dec 10. PMID: 20007734.

Em 2010, um estudo cruzado comparou a nabilona à amitriptilina (10 mg) no tratamento da insônia em pacientes com fibromialgia, não encontrando melhora significativa na dor, humor ou qualidade de vida no grupo usuário de nabilona. (A nabilona é um canabinóide sintético com uso terapêutico como antiemético e como analgésico auxiliar para dor neuropática. Ele imita o tetraidrocanabinol (THC), o principal composto psicoativo encontrado naturalmente na cannabis).


Nabilone for the treatment of pain in fibromyalgia

Ler o artigo original

Ryan Quinlan Skrabek, Lena Galimova, Karen Ethans e Daryl Perry. Pain. 2008 Feb;9(2):164-73. doi: 10.1016/j.jpain.2007.09.002. Epub 2007 Nov 5. PMID: 17974490.

Em 2008, um estudo randomizado duplo-cego controlado por placebo avaliou a eficácia da nabilona, um canabinoide comercializado nos Estados Unidos, em 20 pacientes com fibromialgia. Todos os pacientes deste grupo apresentaram maior diminuição da dor medida com a Escala Visual Analógica (EVA), no Questionário de Impacto da Fibromialgia (FIQ) e escores de ansiedade, mas uma porcentagem maior de efeitos colaterais do que no grupo controle.


Pelo visto, o corpo de evidências para o tratamento com cannabis medicinal em pacientes com fibromialgia é inconclusivo, mas muitos pacientes que usam cannabis relata melhora na dor e na qualidade de vida. Os fitocanabinoides podem ser uma terapia de baixo custo e bem tolerada para reduzir os sintomas e aumentar a qualidade de vida dos pacientes com fibromialgia.

REVISÕES


Cannabis and cannabidiol (CBD) for the treatment of fibromyalgia

Ler o artigo original

Amnon A Berger, Joseph Keefe, Ariel Winnick, Elasaf Gilbert, Jonathan P Eskander, Cyrus Yazdi, Alan D Kaye, Omar Viswanath e Ivan Urits. Review Best Pract Res Clin Anaesthesiol. 2020 Sep;34(3):617-631. doi: 10.1016/j.bpa.2020.08.010. Epub 2020 Aug 15. PMID: 33004171.

Esta revisão concentrou-se no uso de cannabis na dor crônica devido ao seu efeito positivo na percepção da dor e no sistema imunológico. Trata-se de uma revisão sistemática e completa das evidências, juntamente com uma revisão dos dados seminais sobre a fisiopatologia, diagnóstico e opções de tratamento atuais. Apenas dois ensaios clínicos randomizados controlados (ECRs) incluíram exclusivamente pacientes com fibromialgia. As evidências atuais são limitadas, mas sugerem um efeito positivo da cannabis na fibromialgia. Contudo, há riscos psiquiátricos, cognitivos e de desenvolvimento, bem como os riscos de dependência.


Cannabinoids for fibromyalgia pain: a critical review of recent studies (2015– 2019)

Ler o artigo original

Erinn C. Cameron e Samantha L. Hemingway. Journal of Cannabis Research (2020) Article number: 19 (2020).

O presente estudo examinou a literatura mais recente sobre cannabis (2015–2019) e forneceu uma revisão crítica da pesquisa atual sobre a segurança e eficácia dos tratamentos de cannabis medicinal para fibromialgia.

Resultados: A busca identificou cinco estudos aplicáveis ​​envolvendo 827 participantes que utilizaram seis tratamentos diferentes. A revisão sugeriu vários problemas metodológicos relativos à generalização e validade.

Conclusão: Embora os estudos revistos criticamente sugiram superficialmente que a cannabis medicinal é um tratamento seguro e eficaz para a dor da fibromialgia, sérias limitações metodológicas impedem uma conclusão definitiva sobre o uso de canabinoides para o controle da dor em pacientes com fibromialgia neste momento.

REVISÕES DE ARTIGOS

Eu também procurei revisões de artigos publicados no período 2015-2021, uma vez que o conhecimento científico da cannabis medicinal é muito recente e evolui rapidamente.


Exploring the efficacy and safety of cannabis in the management of fibromyalgia

Ler o artigo original

Amol Sagdeo, Ayman Askari e Patrick Ball. International Journal of Current Pharmaceutical Research ISSN- 0975-7066 Vol 14, Issue 1, 2022.

Esta revisão examina a literatura sobre o uso de canabinoides na fibromialgia no contexto da variação internacional nas estruturas legais, os produtos disponíveis e os resultados relatados. Uma revisão detalhada foi realizada usando as bases de dados EMBASE e PUBMED. Concluiu-se que apesar do interesse no uso de canabinoides no manejo da fibromialgia, não há evidências suficientes para prescrever os medicamentos licenciados atualmente disponíveis ou para recomendar os produtos complementares de saúde disponíveis para compra legal. Há necessidade de mais ensaios clínicos randomizados globais para determinar com precisão a eficácia e segurança da cannabis medicinal a curto e longo prazo para seu uso agudo e crônico.


Efficacy, tolerability and safety of cannabinoids in chronic pain associated with rheumatic diseases (fibromyalgia syndrome, back pain, osteoarthritis, rheumatoid arthritis): A systematic review of randomized controlled trials

Ler o artigo original

M-A Fitzcharles, C Baerwald, J Ablin e W Häuser. 2016 Feb;30(1):47-61. doi: 10.1007/s00482-015-0084-3.

Uma busca sistemática até abril de 2015 foi realizada no Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), por ensaios clínicos randomizados abrangendo a síndrome da fibromialgia, osteoartrite, dor crônica na coluna e dor da artrite reumatoide para tratamentos com nabilona, e com tetrahidrocanbinol/canabidiol. Os achados de superioridade dos canabinoides sobre os controles (placebo, amitriptilina) não foram consistentes. Os canabinoides foram geralmente bem tolerados, apesar de alguns efeitos colaterais incômodos e seguros durante a duração do estudo. Conclusões: Atualmente, não há evidências suficientes para recomendação de quaisquer preparações de canabinoides para controle de sintomas em pacientes com dor crônica associada a doenças reumáticas.


Cannabinoids for Medical Use: A Systematic Review and Meta-analysis

Ler o artigo original

Penny F Whiting, Robert F Wolff, Sohan Deshpande, Marcello Di Nisio, Steven Duffy, Adrian V Hernandez, J Christiaan Keurentjes, Shona Lang, Kate Misso, Steve Ryder, Simone Schmidlkofer, Marie Westwood e Jos Kleijnen. JAMA 2015 Jun 23-30;313(24):2456-73. doi: 10.1001/jama.2015.6358.

A dor crônica foi avaliada em 28 estudos (63 relatórios; 2.454 participantes). Apenas 2 eram sobre fibromialgia. Os estudos geralmente sugeriram melhorias nas medidas de dor associadas aos canabinoides, mas estas não atingiram significância estatística na maioria dos estudos individuais. O número médio de pacientes que relataram uma redução na dor de pelo menos 30% foi maior com canabinoides do que com placebo (OR, 1,41 [IC 95%, 0,99-2,00].


NICE recommends range of chronic primary pain treatments

Ler o artigo original

Matt Roberts (Editor) e National Health Executive. Publicado em 8/Abril/2021.

Por fim, um comitê de cientistas, a pedido do Instituto Nacional do Reino Unido para Excelência em Saúde e Cuidados (NICE), constatou que alguns estudos conseguiram melhora da dor crônica, mas que ela foi estatisticamente e clinicamente insignificante (média de 0,4 em uma escala que varia de 0 a 10) e os pacientes continuaram a usar outros medicamentos farmacológicos para controlar a dor. Concluíram também que o custo superava o benefício, e que não havia evidências para o uso de CBD sozinho (como um produto puro ou contendo traços de THC). Portanto, o comitê recomendou que o CBD não deve ser oferecido a menos que seja parte de um ensaio clínico.

CONCLUSÃO

A cannabis medicinal “funciona” somente para alguns, em algumas condições. Em pacientes com condições psicológicas subjacentes, por exemplo, o uso de cannabis tem sido associado a uma maior incidência de psicose, comprometimento da memória, distúrbios do desenvolvimento e cognitivos.

Tanto as evidências científicas quanto os relatos dos pacientes deixam claro que o óleo de CBD, assim como a pomada, é um tratamento promissor contra as dores da fibromialgia. Outros estudos de ensaios clínicos randomizados devem avaliar se esses resultados podem ser generalizados para a população com fibromialgia em geral.

Todos os artigos e revisões de artigos terminam com a mesma ladainha: faltam pesquisas, mais pesquisas são necessárias sobre a utilidade dos canabinoides em pacientes com fibromialgia, bem como o envolvimento do sistema canabinoide na fisiopatologia dessa condição.

Com o tempo, o uso de canabinoides adicionará uma contribuição útil ao controle da dor nessa condição desafiadora, mas as evidências até o momento não suportam o uso dos produtos atualmente disponíveis.

Os produtos à base de cannabis devem ser usados ​​para gerenciar a fibromialgia? Somente em casos pontuais, em que há alguma comprovação, mesmo que empírica, de bom desempenho terapêutico (ex.: epilepsia, autismos, dor oncológica). Em geral, o uso da cannabis medicinal no âmbito da fibromialgia por enquanto é temerário, a não ser como parte de ensaios clínicos controlados e regulamentados.

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nenhum

2 respostas

  1. Quero parabenizar o Dr Julio pela excelente matéria A CANNABIS MEDICINAL E A FIBROMIALGIA: O QUE (HOJE) A CIÊNCIA DIZ.
    Conteúdo super atual e útil aos que sofrem de Fibromialgia.

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