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12 incógnitas sobre a covid-19 e uma sentença: ainda estamos f…

12 incógnitas sobre a covid-19 e uma sentença: ainda estamos f...

Este post aponta 12 questões ainda em aberto sobre a Covid-19. Temas fundamentais relativos à natureza do vírus, a quem é mais propenso a se infectar ou a infectar outros, a duração da imunidade, a eficácia de uma vacina anti-Covid-19 no caso dos idosos etc… Temas que, na cabeça de muitos, já estão resolvidos – até porque a mídia dá a entender isso. No entanto, eles ainda permanecem dúbios, incertos e tomados no conjunto, indicam que estamos longe de sair da zona do perigo.

Todo fim de semana eu me proponho a abandonar o tema da Covid-19 e retornar assim 100% à raiz do blog que é a educação em dor, e mais especificamente, a dor crônica.

E não consigo. É um vício alimentado por dezenas, às vezes centenas, de notícias que confirmam, colocam em dúvida ou desmentem as outras tantas publicações da semana anterior.

A cada certo tempo, talvez para recuperar o fôlego e ver se tem sol ou chuva lá fora, dá na telha fazer um apanhado da situação.

Ontem foi um dia desses. Para desgosto dos (muitos) que já agem e (levados pelo próprio comportamento) até pensam que o vírus já foi, que a curva embicou, que a vacina vem aí, que dentro de alguns meses tudo será como dantes… eu resolvi levantar questões fundamentais que ainda permanecem incertas e/ou indefinidas.

1. A sobrevivência do vírus em superfícies

Um novo estudo sugere que o SARS-CoV-2, o vírus responsável pela Covid-19, pode permanecer infeccioso por um tempo significativamente mais longo do que se pensava anteriormente. Em condições de laboratório, ele pode sobreviver por 28 dias a 20 graus Celsius em superfícies comuns como vidro, aço inoxidável, notas, papel e alguns materiais não porosos. A descoberta é da agência científica nacional da Austrália e foi publicado no Virology Journal.

As descobertas provam ser teoricamente possível que as pessoas sejam infectadas ao respirar o vírus pelo ar ou ao tocar em superfícies contaminadas. Porém, é uma investigação feita em laboratório. Na vida real, a chance de infecção pode ser muito menor.

2. A Distância Social Mínima

Um novo estudo realizado por pesquisadores da University of Florida sugere que 1,80 m não é distância segura o suficiente para evitar o novo coronavírus. Pacientes com manifestações respiratórias de Covid-19 produzem aerossóis que podem servir como fonte de transmissão do vírus. Eles foram encontrados entre 2,0 m e 4,0 m desses pacientes.

Após meses de resistência, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) americano agora diz que o vírus pode se espalhar por meio de pequenas partículas de vírus que permanecem no ar e podem infectar pessoas a mais de 2 metros de distância.1  Em espaços fechados com pouca ventilação, uma pessoa com Covid-19 que respira pesadamente – enquanto canta ou se exercita – pode infectar pessoas que não estão por perto, mesmo depois que ela deixe o local.

A nova orientação também é clara sobre a transmissão assintomática: “Pessoas que estão infectadas, mas não apresentam sintomas, também podem transmitir o vírus para outras pessoas”, diz o documento.

3. O Espalhamento do Vírus em ambientes fechados

Diversos estudos comprovam ser perfeitamente plausível que ambientes fechados contribuam para a transmissão secundária de Covid-19 e promovam eventos de superespalhamento do novo coronavírus. Esses achados também são consistentes com o aumento da incidência de casos de Covid-19 na Europa e na América do Norte após o começo da flexibilização das medidas anti-Covid-19 (julho) e com o seu declínio na China, após aglomerações em ambientes fechados ser proibida (fevereiro).234

4. A longevidade do vírus

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças publicaram um relatório em julho que mostrou que 35% dos 292 pacientes com Covid-19 não hospitalizados continuaram a sentir sintomas – como tosse, fadiga e falta de ar – até três semanas após o diagnóstico, enquanto 90% dos pacientes com influenza se recuperam totalmente e recuperam a funcionalidade dentro de duas semanas de um resultado de teste positivo.5

Para alguns, pode levar seis semanas ou meses para se recuperar, de acordo com o Body Politic COVID-19 Support Group, que pesquisou 640 long-haulers entre 21 de abril e 2 de maio.67

5. Os gordinhos também correm risco

Adultos de qualquer idade com as seguintes condições apresentam risco aumentado  de doenças graves causadas pelo vírus que causa Covid-19: câncer, doença renal crônica, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana ou cardiomiopatias, sistema imunológico enfraquecido por causa de transplante de órgão sólido, anemia falciforme, fumante, diabetes mellitus tipo 2… e também obesidade.

Porém, quanta obesidade? A obesidade definida como um índice de massa corporal (IMC) entre 30 kg/m2 e <40 kg/m 2 ou obesidade grave (IMC de 40 kg/m2 ou superior), aumenta o risco de doença grave de Covid-19 . Porém, ter excesso de peso, definido como um IMC> 25 kg/m2, mas inferior a 30 kg/m2, também aumenta o risco de doença grave devido ao Covid-19.

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention americano, mesmo pessoas que não são obesas podem ter maior probabilidade de ficar gravemente doentes quando infectadas com o novo coronavírus.8

Estudo recém divulgado hoje pelo Ministério da Saúde revela que o excesso de peso no Brasil cresceu 26,3% nos últimos dez anos. Em 2017 mais da metade dos brasileiros estava com peso acima do recomendado. O problema era mais comum entre os homens: passou de 47,5% para 57,7%.9

6. A reinfecção que pode ser

Quão comum é a doença grave durante a segunda infecção? A biologia individual de uma pessoa desempenha um papel na reinfecção? Afinal, existe mesmo reinfecção com a Covid-19?

Após dez meses de Covid-19, essas perguntas fundamentais continuam sem resposta definitiva. Recentemente, um caso em Nevada (EUA) suscitou preocupações de que as pessoas que se recuperaram do coronavírus ainda podem estar vulneráveis. Isso é improvável, dizem os especialistas. São pessoas que tiveram sintomas de Covid-19 em meses anteriores, testaram positivo, ficaram bem e, depois de um tempo, voltaram a ficar doentes com a Covid-19.10

No Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo, 16 pacientes vêm sendo acompanhados desde meados de agosto. Levantamento da CNN junto a hospitais, governos estaduais e prefeituras identificou ao menos 93 casos investigados para a possibilidade de uma reinfecção pela Covid-19.11

O Ministério da Saúde não confirma nenhum caso até o momento.

Esses achados lançam dúvidas sobre a capacidade das vacinas conterem a pandemia. A maioria das vacinas já conhecidas (ex.: gripe), demonstra não ter um desempenho melhor do que a infecção natural em termos de proteção.12

7. A imunidade que pode não ser todo o imaginado

Por quanto tempo o sistema imunológico de uma pessoa se protege contra o vírus após uma infecção? Quanto tempo dura a imunidade natural?

Mais perguntas ainda sem resposta. No presente, não há evidências definitivas de que as pessoas que se recuperam da Covid-19 possuam anticorpos suficientes como para se proteger de uma segunda infecção.

Por outro lado, três novos relatórios mostram que a imunidade ao coronavírus pode durar entre 5 ou 7 meses – menos que no caso da gripe. Eles também sugerem que as vacinas contra o coronavírus podem proteger as pessoas por mais do que apenas algumas semanas.13

8. Jovens Superperigosos

Os adultos jovens estão causando infecções por coronavírus nos EUA e provavelmente estão espalhando o vírus para populações mais velhas e vulneráveis, de acordo com um relatório recente dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

No início da pandemia Covid-19, os adultos mais velhos tinham maior probabilidade de se infectar, mas quando os pesquisadores analisaram os casos de junho a agosto, eles descobriram que pessoas na casa dos 20 anos representavam a maior parcela dos casos confirmados em comparação com outras faixas etárias. E especialistas em saúde pública dizem que essa é uma tendência preocupante. Os jovens são mais propensos a sair em grupos, ir a bares e restaurantes – comportamento que mantém o vírus circulando.

Os casos nos EUA caíram significativamente no final do verão, mas muitas comunidades com faculdades e universidades agora estão vendo uma recuperação nas infecções conforme os alunos voltam ao campus.14

9. Aviso aos navegantes mais jovens e mais velhos: a vacina não será “tudo isso”

Segundo a revista médica Nature, as vacinas contra a gripe e outras doenças respiratórias são menos eficazes em pessoas mais velhas. Dependendo do ano, a vacina da gripe normalmente protege 30–60% dos receptores de meia-idade; para aqueles com 65 anos ou mais, a taxa de proteção é mais próxima de 20–50%.

As vacinas têm sido tradicionalmente desenvolvidas como tamanho único, mas a resposta imunológica é diferente quando você é jovem e velho. Essa forma de desenvolver vacinas é um péssimo serviço para as pessoas que mais precisam de proteção, diz Tobias Kollmann, vacinologista do Telethon Kids Institute em Nedlands, Austrália. “Se você olhar para o calendário atual de vacinas, quem recebe a maioria das vacinas? Os muito jovens e os muito velhos. E ainda não entendemos nada sobre eles.”15

10. Estrago orgânico total

Inicialmente, os especialistas pensaram que a Covid-19 era principalmente uma doença respiratória, infectando o nariz, a garganta e os pulmões, como os vírus da gripe. Agora, está claro que esse novo germe pode prejudicar o cérebro, o coração, o sistema circulatório, o fígado, o pâncreas e os rins, bem como os pulmões. Confusão, delírio e outros tipos de função mental alterada, chamados de encefalopatia, ocorreram durante a hospitalização por problemas respiratórios de Covid-19, e um estudo descobriu que esses pacientes precisavam de hospitalizações mais longas, tinham taxas de mortalidade mais altas e muitas vezes não conseguiam realizar as atividades diárias logo após a hospitalização.161718

Em uma pesquisa a ser publicada em breve com 3.930 membros do Survivor Corps, um grupo de pessoas que se conectaram para discutir a vida depois da Covid, mais da metade relatou dificuldade de concentração ou foco, disse Natalie Lambert, professora de pesquisa associada da Indiana University School de Medicina, que ajudou a conduzir o estudo. Foi o quarto sintoma mais comum entre as 101 condições físicas, neurológicas e psicológicas de curto e longo prazo que os sobreviventes relataram. Problemas de memória, tontura ou confusão foram relatados por um terço ou mais entrevistados.19

A pesquisa sobre a névoa cerebral de longa duração causada pela Covid-19 abrange sintomas cognitivos perturbadores que podem incluir perda de memória, confusão, dificuldade de foco, tontura e “capturar” palavras usadas no dia a dia.

11. A Covid-19 não é uma pandemia. É algo pior do que isso.

Dr. Richard Horton é editor chefe do The Lancet, um periódico médico do Reino Unido que está entre os três mais lidos no mundo. Ele é também professor honorário da University College London e da Universidade de Oslo.

Num gesto raro, há duas semanas o Dr Norton emitiu um editorial online chamando a atenção para o fato de a atual pandemia ser, de fato, uma sindemia – algo bem mais abrangente, duradouro e prejudicial para uma sociedade. E que requer uma estratégia de combate diferente da atual.

A crise, diz o Dr Norton, não abrange apenas uma doença. Atualmente, duas categorias de doenças estão interagindo em populações específicas: a Covid-19 e uma série de doenças não transmissíveis (DNTs). A somatória de ambas em um contexto de disparidade social e econômica exacerba os efeitos adversos de cada doença separada.

Uma sindemia é isso mesmo: a convivência de duas ou mais doenças num contexto de interações biológicas e sociais que aumentam a suscetibilidade das pessoas a ficarem doentes.

Primeira conclusão: sem abordar as DNTs (hipertensão, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas e câncer), a Covid-19 não será contida em lugar nenhum.

Segunda conclusão: a abordagem científico-médica ensejada até agora para conter a Covid-19 é míope. A natureza sindêmica da ameaça enfrentada exige uma abordagem mais abrangente.20

12. E ainda mais uns quantos baldes de água fria

Algumas vacinas evitam que quase todos os indivíduos sejam infectados, enquanto outras podem reduzir, mas não eliminar o risco de infecção, como já vimos no caso dos idosos.

Quem está dando a vacinação de milhões de bípedes como favas contadas está muito enganado. O mundo nunca tentou antes um programa de vacinação desses, nesta velocidade ou escala. O Brasil, embora mais preparado que a maioria dos países nesse sentido, também não.

E mesmo contando com uma vacina segura e eficaz, aplicada idealmente a toda população em tempo recorde, não será possível dispensar as medidas de saúde pública que ainda hoje são claramente resistidas e não cumpridas por pelo menos a metade dessa população. O uso da máscara, por exemplo, veio para ficar. Um detalhe, o da máscara? Como doravante encarar o ato sexual? Ou esperar pelo cardápio num restaurante lotado? Ou levar os filhos ao estádio no fim de semana? Ou será melhor dispensar a máscara nesses casos e rezar?

E ainda temos as ondas pós-Covid-19. A infecção rompante de milhões de pessoas, a primeira delas, não representa o único desafio enfrentado pelo Brasil. Uma segunda onda abriga condições de saúde urgentes não relacionadas à Covid-19. Cirurgias eletivas, por exemplo. Autorizadas há pouco tempo, elas ainda se ressentem de falta de candidatos destemidos o suficiente como para encarar o ingresso e a permanência durante horas na sala de espera de um ambulatório. A terceira onda, por sua vez, é formada por condições crônicas com cuidados interrompidos, leia-se, diabetes, hipertensão, artrite reumatoide, fibromialgia… que afetam nada menos entre 3 e 4 de cada 10 brasileiros.

Por fim, a famigerada quarta onda, repleta de distúrbios mentais que vão do estresse ao sono ruim, passando por medo, raiva, ansiedade e depressão… e que eu aqui destaco em letra maiúscula porque, à diferença das outras ondas, esta carece de estrutura a beira mar capaz de contê-la.

Se você ficou deprimido depois de ler tudo isso, não era essa a minha intenção. Se pelo contrário, passou ao largo sem sentir nada, tenha uma boa viagem. E se ficou pensando em como se proteger nos próximos 12 meses, bem, nesse caso eu ganhei o meu dia.

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